Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Férias… Palavras para quê?!

 

Essencialmente porque me apetece escrever um bocadinho antes de oficializar a minha entrada de férias das crónicas semanais. E também porque é sempre difícil falar-se de férias sem que uma onda de nostalgia de enormes dimensões nos atinja, fazendo-nos recuar no tempo para aqueles dias maravilhosos, num local inesquecível com a companhia perfeita. Esta altura do ano é por eleição a altura preferida de todos. Os que trabalham finalmente podem descansar, fazendo longas viagens e muitas das vezes para levarem uma vida muito semelhante àquela que levam durante o resto do ano, mas que só por se sentirem em férias, já é possível suportar. Para os que não trabalham é aquela altura do ano em que podem descansar de procurar possíveis empregos e do stress do dia-a-dia em frente a um computador, não deixando de ansiar por novas e possíveis oportunidades futuras.

 

É também nesta altura do ano que as roupas diminuem devido a uma reacção implícita entre o corpo e a temperatura ambiente. E isto é uma maravilha, pois parece que as pessoas andam, de uma forma quase imperceptível, como se levitassem, deslocam-se com um andar mais leve, descontraído e despreocupado, apresentam-se mais sorridentes como se nada mais houvesse ou importasse se não aqueles preciosos raios de sol que nos banham a pele. Aumentam-se os cuidados com a aparência (e por falar nisso tenho que ir cortar as unhas), usa-se e abusa-se dos solários, dos longos períodos de exposição a esse nosso amigo Sol. Na praia todos libertamos a criança que existe dentro de nós e ainda que seja por breves momentos, transformamo-nos em putos malucos quando a onda vem e nos deita ao chão com uma facilidade assustadora. É aí que nos rimos nervosamente, meio engasgados com a água que engolimos mas no fundo despreocupados com o tremendo banho que acabámos de levar.

 

As férias no geral englobam tudo isto. Uma certa despreocupação onde não tem que existir uma obrigatoriedade de horários, onde podemos estar sem pensar em trabalhos, chatices, primeiros-ministros, ministras da educação ou de outra qualquer estirpe, onde o que interessa apenas é o nosso bem-estar e a respectiva meteorologia. No meio de tudo disto, e para fugir ao sol nas horas de maior calor, um tempinho para ver um filme, um daqueles bem-dispostos e animados, eu sugeria a “Ressaca” ainda em muitos cinemas pelo país, que realmente consegue ser uma lufada de ar fresco no género e na originalidade dentro do género, fugindo de possíveis semelhanças com outros filmes que já se apresentam como estando gastos mesmo antes de estarem feitos.

 

Férias… palavras para quê?! Não há palavras que consigam descrever o que cada um de nós sente ou experiencia. Aquilo que se vive é mais marcante do que tudo o resto, independentemente daquilo que se pode dizer ou não. É assim que espero que os “meus” leitores (e meus num sentido de profunda amizade) vivam e usufruam nestas férias. Que recarreguem as energias ao máximo para a segunda metade do ano, e acreditem, se esta passar tão depressa como a primeira… quando dermos por ela já o ano terminou. Não se esqueçam de ver muitos e bons filmes (se bem que este segundo critério é cada vez mais difícil), de os apreciar tal como tudo aquilo que vos rodeia. Pois na verdade não se saberá se amanhã lá estará para ser contemplado.

 

E desta feita, em vez do meu “até para a semana” deixo-vos com um profundo agradecimento, pela activa participação nestas 20 crónicas semanais (é verdade 20 semanas de crónicas), agradecendo especialmente o facto de terem “perdido” algum tempo das vossas vidas para comentarem e escreverem as vossas opiniões sobre os temas em causa. A todos vós o meu obrigado e o mais sincero desejo de umas óptimas férias.

 

Até um dia destes!

publicado por OlharCrítico às 20:46
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Excelência nas editoras?! – É raro, muito raro!

 

É mais que sabido que as editoras/ distribuidoras de cinema do nosso país ficam quase sempre muito longe das expectativas. Especificamente nas editoras, ou porque uma determinada edição em DVD não se faz acompanhar com extras decentes, ou que pelo menos sejam iguais aos da edição dita original, ora porque custa quase o dobro do que anterior e com menos extras lá está, ou ainda mais grave, aquilo que me aconteceu nestas ultimas semanas com a colecção da série “24” a custar 19.90€ quando na semana anterior custava mais dez euros (e isto já com desconto). Do mal, o menos pensei eu. O pior foi quando saí da loja e a 1ª e 2ª temporada possuíam praticamente todos os discos que as compunham, riscados. A acrescentar a isto, o mesmo já me havia acontecido em Viseu. As duas primeiras temporadas estão num estado lastimável. Após apresentado o caso na loja, promoção válida apenas para a FNAC, foi feito um pedido de um novo artigo com a nota de que os discos se encontravam riscados. Quando esse respectivo pedido chegou, pedi como é óbvio para confirmarem os discos e qual não é o meu espanto… estavam praticamente todos no mesmo estado – riscados e imundos. Fica já aqui o aviso, verifiquem sempre os DVDs depois de os comprarem e fica aqui a sugestão à editora em causa, que os discos não servem de “frisbbees” apesar da estação em que nos encontramos. Muito menos servem de discos rotativos que se introduzem em certas máquinas de limpeza a fim de polir o chão. É certo que nunca referi isto antes porque confesso, pensei que fosse do senso comum… por vezes sou mesmo crente.

 

Ora com as distribuidoras (que por vezes também podem ser editoras), são também férteis as situações engraçadas (mas que no fundo apenas provocam as mais sinceras lágrimas do ser mais sério e lúgubre). Foi na “Premiere” que li que o filme “Deixa-me Entrar”, objecto cinematográfico Sueco e que para alguns é uma verdadeira escola de cinema, está disponível em apenas duas salas de cinema. Uma no Porto e outra em Lisboa. Que Lisboa é capital eu já sabia, agora que Porto e Lisboa são as duas únicas cidades que constituem PORTUGAL onde algum inteligentezinho da treta acha que é aceitável (ou rentável) disponibilizar o filme, isso não sabia. Bem vistas as coisas só há gente culta, inteligente e interessada em cinema nestas duas cidades, o resto é copos, cerveja, tremoços e amendoins, sem esquecer o futebol à mistura por isso até é uma decisão minimamente aceitável… mas será mesmo?!? Pessoalmente gostava de conhecer os “artistas” por detrás destas noções de marketing e de mercado e tentar perceber (se é que é possível) o que se passa nas suas cabecinhas pensadoras. Torna-se ainda mais vergonhoso quando um filme com uma história similar – que está ao mesmo nível que uma qualquer bugiganga desprovida de interesse, maioritariamente direccionado para adolescentes com hormonas aos saltos na grande maioria das vezes sem nenhuma noção de qualidade seja do que for – proveniente de uma co-produção da MTV, é distribuído pelo país inteiro.

E mesmo a calhar volta à baila a questão triste e idiota de não se disponibilizar filmes de animação no seu idioma original. Mais uma vez o infeliz do conimbricense (e infelizmente deve haver por aí espalhados muitos mais infelizes) se quiser eventualmente ver o filme “Idade do Gelo 3” só poderá fazê-lo se gramar com a versão dobrada (que independentemente da sua qualidade) não pode existir por si só. Bolas é arranjarem a porcaria de mais uma bobine com a versão original. Ai é muito caro poderão dizer alguns. Caro é pagar 5€ por um menu normal de pipocas com uma Coca-Cola e outro tanto por um bilhete, isso sim é caro. Só o dinheiro que é feito neste consumíveis dava para pagar não sei quantas versões originais. É revoltante constatar-se o que é feito de forma recorrente por grande parte destas empresas, que gerem e manipulam tudo e todos em prol de receitas financeiras, que fazem o que querem e o que bem lhes apetece sem nunca em momento algum pensarem na qualidade ou versatilidade a que o consumidor tem direito, ou pior ainda, sem nunca pensarem no ridículo, escandaloso e ultrajante serviço que fazem em nome da suposta cultura. Não há cultura no nosso cinema actual. Aliás não há praticamente nada a não ser a grande maioria do lixo americano, pois esse não falha um, ora essa!

 

No fim somos obrigados a levar com publicidades contra a pirataria e afins. Qual pirataria?! Viva a pirataria – aliás serviço de qualidade onde escolho aquilo que me interessa – viva aos downloads (i)legais e aos “sacanços” em massa. Pelo menos aí posso ver o que quero, quando quero, como quero e acima de tudo sem riscos nos DVDs e sem ter que levar com o raio das dobragens. E quem diz a verdade não merece castigo já lá diz o ditado. É que olhando objectivamente para a questão, não há mesmo outra alternativa, se não na internet, para combater e se conseguir reunir as condições mínimas no que diz respeito à diversidade na cultura cinematográfica do nosso país… pois de outra forma só mesmo a resignação e a consequente toma de produtos sobrevalorizados, inócuos e isentos de qualquer critério de qualidade. É este o tipo de cinema que quero?! – Definitivamente não!!!
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 23:06
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Onde pára a Originalidade e a Imaginação?!

 

 

Não sei se os leitores porventura sentem o mesmo mas eu já há muito tempo que não saio de uma sala de cinema marcado por um filme que tenha visto. Há muito tempo que uma história não me marca, não me emociona, não me deixa a pensar e a reflectir sobre os seus diversos pontos de vista. Talvez tenha sido “Gran Torino” de Eastwood o último a deixar uma marca tão profunda, ou dito de outra forma, desde Março. Dirão muitos e com toda a razão que o cinema serve essencialmente para entreter, o que é algo com que eu concordo mas fazendo um esforço para saltar a barreira que para muitos divide o “entretenimento” daquilo a que eu chamo de “cultura com entretenimento”, depressa percebemos que o salto não é assim tão difícil.

O cinema, e aqui insere-se principalmente o dito cinema americano de Hollywood, está a viver uma crise evidente de falta de imaginação e originalidade. Fazem-se remakes de todos os tipos de filmes, sequelas atrás de sequelas, adaptações cada vez mais rigorosas de bandas desenhada e no fim acaba por tudo junto, ser ainda muito pouco. Esta onda dos blockbusters com os seus filmes de puro entretenimento (deste feita já não é só entretenimento é também “puro”) já foram vistos vezes e vezes sem conta. Não acrescentam nada de novo e as únicas inovações são em categorias técnicas, com porções enormes de efeitos especiais e digitais, sequências megalómanas, absurdas quantias de dinheiro gastas para que no fim aquilo tudo espremido dê efectivamente para muito pouco.

 

Mas a verdade é que para isto acontecer é porque alguém dá a entender que isto é o que se quer. Esse alguém somo nós, os espectadores que vão ao cinema, que pagam os seus bilhetes para visionarem um filme. Se determinado filme tem óptimas receitas de bilheteira o mais certo é que tudo se volte a repetir numa sequela uns mais tarde. Tudo isto é ainda mais complexo pois eu também não concordo que se deixe de ir ver um determinado filme apenas porque se sabe que o realizador ou a história são fracas. Penso que devemos sempre ajuizar e criticar tendo em conta aquilo que vivemos ou sentimos perante um determinado objecto ou situação. No fundo a experiência pessoal é sempre a mais importante em todo e qualquer meio. Por outro lado também não critico de forma nenhuma e muito menos condeno quem não vai ao cinema por não gostar do realizador – e se for Michael Bay o melhor mesmo é deixar de lado – ou devido a uma outra qualquer razão.

 

Não posso porém deixar de referir mais uma “pura” verdade. Falta imensa diversidade nos nossos cinemas. Raramente temos opção de escolha perante um filme e quando a temos, normalmente as escolhas que nos são possibilitadas variam entre a “chungice” do cinema espectáculo – do qual eu gosto entenda-se – onde frequentemente se escreve um argumento partindo da quantidade de vezes que se quer explodir algo e que normalmente resultam em objectos cinematográficos sem qualquer tipo conteúdo (tornando-as assim descartáveis) ou entre o “intelectualismo” do cinema Português que peca muitas das vezes por apresentar demasiado conteúdo. Seremos assim um povo que se satisfaz apenas com explosões, efeitos, gajas em posições sensuais, barulho e frenesim?! Ou seremos também um povo que de vez em quando gosta de ver um filme que nos faz parar para pensar e reflectir sob um determinado tema?! É caso para dizer, nem 8 nem 80.

 

Não posso falar por todos mas quero crer que muitos de nós nos inserimos nesta segunda categoria, onde é importante o trabalho dos actores, dos principais aos mais discretos secundários, onde é importante a riqueza, inteligência e originalidade evidenciada na escrita do argumento que se apresenta com uma magnificência invulgar ao contrário da noção que nos é apresentada pelo actual cinema americano que apenas se pretende distinguir pela sua vanguarda técnica principalmente no que diz respeito aos efeitos especiais. Nem sempre a modernidade se faz acompanhar da mesma excelência evidenciada em filmes independentes ou europeus que verdade seja dita, dificilmente se conseguem encontrar nas nossas salas de cinema, mais conhecidas por salas de consumo desenfreado de imagem e barulho que não respeitam o mínimo rigor na qualidade ou na diversidade.

 

Vivemos de facto numa altura complicada onde só os valores do consumo são importantes. Cortam-se as raízes com os modelos clássicos do cinema, o que não tem de ter obrigatoriamente um lado positivo ou negativo, apenas servem como uma infeliz constatação. A verdade é que hoje o espectador com toda a tecnologia à disposição acaba por assumir uma posição muito descartável relativamente ao cinema, quase que como se tivesse deixado de ter interesse ou pertinência um filme mais pensado ou elaborado, algo que no fundo todos nós, na posição de espectadores verdadeiramente apreciadores de cinema, sabemos de antemão não ser verdade.

 

Existiam e ainda existem uns livros muito engraçados em que o objectivo era procurar uma personagem no meio de uma multidão, que tem como título “Onde está o Wally”. Pode-se fazer com relativa facilidade o mesmo exercício para o nosso cinema de Hollywood. No meio de tantos filmes, tantas explosões, tanto CGI, tanto plano super frenético e imperceptível que tantas vezes já foram vistos, é mesmo caso para perguntar, onde está a originalidade e a imaginação?! O pior é que ao contrário do livro, onde com mais ou menos tempo se conseguia encontrar o “Wally”, tenho muitas dúvidas que no caso do cinema se consiga efectivamente atingir esse fim.
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 19:14
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Nunca um ADEUS mas sim um ATÉ JÁ!

 

Esta semana vou deixar, ainda que muito ligeiramente, o cinema um pouco de lado, principalmente devido à onda de choque com que fui invadido ontem enquanto via televisão e a emissão foi interrompida para dar a notícia da morte do cantor Michael Jackson. Não é que considerasse o senhor imortal até porque a aparência poderia indicar tudo menos imortalidade e também não é que seja um fã incondicional ainda que partilhasse um imenso gosto por algumas das suas obras mas é acima de tudo um choque porque ficámos privados de mais um génio e de um criador fora do comum. Desta feita a sua velocidade de pés e agilidade física não foram suficientes para fintar aquilo que o destino um dia mais tarde partilha e reserva para todos nós.


A sua música não só marcou uma inteira geração como também influenciou diversos músicos. Michael Jackson tinha um estilo inconfundível, praticamente iniciou um estilo de dança totalmente novo, introduzindo os elementos das agora entre nós tão conhecidas técnicas de dança, como o robot e o moonwalk. A sonoridade musical que misturava black music e disco facilmente entra no ouvido. E goste-se ou não, tinha uma voz com um timbre característico e muito próprio. É impossível não se falar deste cantor sem nos virem logo à cabeça uma enormidade de canções e êxitos conforme os gostos de cada um.


Thriller ainda é apenas e só o álbum mais vendido da história, o videoclip da mesma música continua a ser um dos mais espectaculares de sempre e dos mais caros da altura. São imensos os exemplos que poderiam ser referidos tais como; Billie Jean, Bad, The Way You Make Me Feel, I Just Can´t Stop Loving You, Man In The Mirror, Don´t Stop Til You Get Enough, Beat It, Black or White, They Don´t Care About Us, Scream, Invencible entre muitos outros. Os números ligados à grande maioria destes singles são simplesmente arrebatadores e evidenciam o poderio musical que Jackson representava e indiscutivelmente representa.


Porém a carreira de Michael Jackson não foram só sucessos. Vários escândalos, alguns difíceis de contornar, acabaram por encobrir o anterior sucesso do cantor e que largamente foram ampliados pela imprensa no geral. As suas “macacoas” faziam de Jackson um alvo tentador e foram várias as vezes em que esteve debaixo das luzes dos holofotes mas não pelas melhores razões. À parte de acusações de pedofilia, de bebés pendurados na varanda e de outras situações menos felizes, Jackson possuía também um coração solidário.


Desde concertos de caridade para crianças e jovens, a gravações de canções para angariar fundos para as vítimas do 11 de Setembro, à criação de associações de ajuda humanitária com músicas como Heal The World, a músicas de cariz ambiental e uma das minhas preferidas de toda a sua discografia com um videoclip muito representativo, Earth Song, Jackson partilhava assim com o mundo a sua posição e as suas preocupações.


É isso que fica na sua despedida. A música, o estilo inconfundível, os sons, a sua originalidade e genialidade e a sua passagem por Portugal bem como as suas palavras, “I Love You” no início e “Peace” na despedida. Fica para os fãs aqui a minha palavra de reconhecimento por um talento inato, uma palavra de apreço à impressão inextinguível que trouxe e deu ao mundo da música e cultura deixando-as para sempre marcadas. Michael Jackson era e é “O Rei do Pop” para o qual um adeus é pouco… prefiro sempre deixar um simples até já a uma estrela que dificilmente irá deixar de brilhar…

 

Até para a semana!

 

 

publicado por OlharCrítico às 17:23
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

O TERROR, o drama, a emoção… e por aí fora

 

 

Já todos nós vimos pelo menos um filme de terror. Ver um filme de terror é mais ou menos como andar numa montanha russa com vários loopings, curvas apertadas, subidas e descidas íngremes, de preferência, que sejam mesmo a pique. O espírito humano gosta da sensação e da descarga de adrenalina quando o corpo passa por alguma situação que assim o exija. Por isso ver um filme de terror é uma maneira “segura” de apanharmos uns valentes cagaços que normalmente terminam num sorriso parvo resultante do nervoso miudinho e que em casos mais raros culminam com uma manifestação física sonora, mais conhecida por grito.

 

Assim se quisermos realmente vibrar com um filme do género Terror, ou outros possíveis subgéneros aproximados, o melhor mesmo é não irmos ao cinema com um grupo considerável de amigos, pois o mais certo é aquilo transformar-se numa pura comédia com as bocas, os possíveis erros crassos que se possam eventualmente encontrar e as “sugestões” do pessoal. Outro dos aspectos importantes é que ninguém se deve esquecer de retirar os tampões dos ouvidos antes de entrar para o cinema. Porque hoje em dia o que verdadeiramente assusta neste tipo de filmes são as variações bruscas do som/ música que muitas das vezes nem ao luxo se dão de estar de alguma forma sincronizadas com a imagem. Ou seja, se não ouvirmos estamos safos porque não haverá cagaços para ninguém.

 

Por outro lado cada vez mais o cinema de terror opta por chocar o espectador a partir do que este visiona na tela. Tendem a ser mais explícitos (mais sangue, órgãos e partes da anatomia humana a saltar por todos os lados) e tendem a ser mais perfeccionistas na técnica de filmagens, recorrendo essencialmente a planos sempre muito aproximados do actor/ actriz para realçar o pânico, drama, literalmente o terror da personagem, para que esta consiga atingir de forma emocional o espectador. Pessoalmente confesso que quando era mais novo via de tudo, era um autêntico Schwarzenegger dos filmes de terror, nada me impressionava ou marcava, e agora o disco já não toca da mesma forma. Aqui entre nós até já pesadelos tive com algumas personagens do universo de terror. A idade não perdoa mesmo meus amigos.

 

Todavia continuo a ser um adepto dos filmes de terror, ou dito de outra forma sou um ser bravo e altamente corajoso que enfrenta os seus medos. A fórmula deste género de filmes mudou consideravelmente com o passar dos tempos. Existe mais primor, mais rigor nas técnicas utilizadas, consegue-se um realismo praticamente perfeito (nalguns casos chega a ser assustador), mas por outro lado os filmes de terror tornaram-se em puros consumidores de carne humana profissionais. Digo isto porque antigamente havia normalmente um sobrevivente que ficava para contar a história ou mais que não fosse para dar azo a uma possível sequela. Na actualidade e na grande maioria dos filmes de terror a malta ou morre toda ou deixa implícito que ninguém teve a capacidade, inteligência ou infra-estruturas para conseguir dar um enxerto de porrada a um qualquer Jason Voorhees, Michael Myers, Freddy Krueger ou até um pequeno ou grande zombie que ande para aí perdido.

 

Alguns dirão que estas chacinas são algo desmotivantes e isentas de mensagens e realmente há dias em que me apetece ver um filme que tenha um final cor-de-rosa. Mas às vezes também só me apetece ver um filme tecnicamente bem executado e que consiga basicamente, assustar e pôr-me o coração a saltar pela boca. E exemplares que consigam atingir este efeito em mim, devo confessar, são pouquinhos. E algo me diz que não devo ser o único com este sentimento. Quanto aos possíveis finais cor-de-rosa pessoalmente prefiro ver um filme que me consiga causar sensações e emoções do que propriamente terem de se apresentar com a obrigação de possuírem um final dito feliz. Neste caso e apenas nalgumas vezes dou primazia à técnica e à interpretação. Mas também reconheço porque é a mais pura verdade, faltam bons argumentos para filmes de terror. É excessivamente comum ficarem demasiados assuntos pendentes e da mesma forma muitas situações por explicar.

 

Apesar de tudo isto cá vou continuar a assustar-me ou a divertir-me (dependendo do filme). É um género muito interessante, com uma fórmula bem definida e que actualmente tem produzido bons resultados, como é o caso do REC, no qual já uma sequela se aproxima. REC foi de facto um dos filmes que mais mexeu comigo mas muito se deve à fantástica interpretação de todos os seus actores e respectivas personagens. Parte aliás que é normalmente pouco trabalhada e na qual pouco se investe em actores mais habituados nas artes interpretativas em prol de miúdas giras com peitos ainda mais giros. Uma coisa é certa, já sei que quando estiver a tomar banho ou a sair dele, só com a toalhinha a cobrir-me e ouvir um barulho… a última coisa que vou perguntar é “quem é que está aí” e a última coisa que vou fazer é ir investigar. Arre pernas para que te quero, porque vou é meter-me a correr sem por um segundo pensar em olhar para trás. Ou então posso sempre nessa altura gritar… “CORTA”!!!

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 22:37
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Futebóis

 

Com o recente “Star Crossed” e independentemente de algumas considerações e opiniões que já tive de oportunidade de ler, pois eu ainda não vi o filme, emergiu no meu pensamento uma conversa que já tive há algum tempo com o Filipe, sobre os variados tipos de desportos retratados no cinema. Lembrou-me particularmente de uma frase em que dizia, “é impressão minha ou o futebol nunca teve um filme à altura do desporto em si?”

 

Realmente são imensos os filmes que se dedicam por inteiro à transposição de um determinado desporto para a tela. Há por outro lado, desportos que até quase que já cansa ver no grande ecrã, como são os casos do futebol americano e basebol. Ainda que de uma forma bastante safada me continuem a escapar alguns pormenores sobre as regras de ambos os desportos. Safadezas à parte a verdade é que quase todos os desportos têm pelo menos um filme que se pode considerar bastante bom, ou acima de média. “Duelo de Titãs” e “Um Domingo Qualquer” ficaram sempre no meu pensamento na categoria de futebol americano, “Bobby Jones” ou “A Lenda de Bagger Vance”, no que diz respeito ao golfe, “Wimbledon” relativamente ao ténis, “The Rookie” ou “Campos de Sonhos” para o basebol e entre muitos outros desportos lá pelo meio. Relativamente ao tema em discussão não posso deixar de referir o “Victory” e o mais recente “Golo”, ambos alusivos ao nosso tão conhecido (e fundamental, às vezes parece que o povo Português não conseguiria viver sem ele…) futebol.

 

Concretamente no futebol, assim de repente são esses dois que me vêm à cabeça, apesar de saber da existência de outros como “Grace” e alguns provenientes de outros continentes e culturas que confesso, não consigo recordar agora os títulos. Portanto a questão colocada pelo nosso amigo Filipe parece ganhar cada vez mais densidade e pertinência. Pessoalmente e remetendo-me ao mais recente “Golo”, acho que se trata de um filme interessante, provavelmente um dos que mais usufruiu de imensos recursos, mas que no fundo e no que objectivamente diz respeito ao desporto, não consegue captar a essência do jogo no relvado. Aliás foi algo que nunca tentei mas pelo que tem sido feito, parece haver uma tremenda dificuldade em filmar futebol como deve de ser, igualando por sua vez, o que se faz com outros desportos que são retratados de forma fiel e mais realista.

 

Aqui entra “Victory” que penso que em Português foi traduzido para “Fuga para a Vitória”. Continua a ser, pelo menos para mim, o supra sumo dos representantes do futebol na sétima arte. Não só pela história, não só pelo Pelé mas acima de tudo pela capacidade de nos mostrar o futebol em si, muito próximo do que nós conhecemos dele. Uma filmagem interessante recheada de pormenores cativantes que no fundo se fundem com o desporto em si e com a equipa que o pratica. Quando vejo um filme sobre futebol, fico sempre com aquela sensação estranha, que é um desporto que se joga apenas com um elemento, que finta tudo e todos, que marca recorrentemente golos de pontapés de bicicleta que faz grandes fintas sem que ninguém lhe dê uma valente de uma sarrafada que lhe tire o raio da bola. Algo que não senti enquanto visionava “Victory”. Sim, após algumas considerações a verdade é que se me perguntassem qual seria o melhor filme que vi sobre futebol – e apesar de reconhecer algumas mais-valias a alguns exemplares mais recentes… escolheria com toda a certeza “Victory”. À grande Stallone na baliza!

 

Em suma, dificuldades técnicas ou outras à parte é um facto que filmar futebol é um processo complexo. Não existem assim tantos exemplares que abordem essa temática e os que existem, enfim deixam-nos com água na boca. O que no fundo acaba por dar total razão ao nosso amigo Filipe. Por fim e se formos a ver bem as coisas… nem todos são Pelés ou Cristianos Ronaldos! O que no caso deste último é bom (aliás muito bom) pois de outra forma ninguém saberia onde iríamos estar daqui a três anos, já viram a chatice… mas por outro lado ganharíamos 24 mil euros por dia… ai escolhas escolhas, são sempre tão difíceis…

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 21:52
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Sábado, 6 de Junho de 2009

Venha daí o CLICHÉ pois então…

 

Ao ver os últimos episódios de “Prison Break” tive aquela sensação de já ter visto tudo. E mais ou menos a meio comecei a fazer o exercício do “será que consigo adivinhar o que vem a seguir?!” A chuva de clichés, twists (tão fraquinhos) foram tantos que na grande maioria consegui adivinhar, tirando o impacto que a série me poderia ter causado em troca de algumas valentes gargalhadas (nas quais muitas delas já evidenciavam a minha impaciência perante tanto incapacidade demonstrada na escrita do argumento). Fez-me portanto recordar algumas pérolas do cinema relativamente a estes clichés e afins. Apesar de assim de repente ter algumas dessas pérolas presentes na minha memória, fiquei curioso e fiz aquilo que sempre faço quando escrevo alguma coisa. Fui investigar. É impressionante a quantidade de sites com informações deste tipo e as quais não vou conseguir referir nem metade é certo, porque acreditem são imensas, mas que vos peço para se sentirem à vontade para partilharem comigo as que quiserem e acharem pertinentes.

 

- Quantos de nós já desesperamos por um lugar para estacionar o carro perto do local que visitávamos e que não fosse necessário pagar? – Pois bem, em Hollywood, facilmente se arranja estacionamento no qual não é preciso pagar e mais importante ainda, o carro entra sempre (reforço o sempre) de frente e nem são precisas manobras… querem melhor?!

 

- Na vida real costuma dizer-se que as notícias más correm rápido. Nos filmes não. Já repararam naqueles intermináveis diálogos enquanto o vilão aponta a arma ao herói, e engonha e engonha, até que lá aparece alguém para o salvar? Situação caricaturada no filme “O Último Grande Herói”.

 

- E por falar em armas?! Porque é que os vilões têm uma apontaria tão fraquinha? Coitados deve ser frustrante, disponibilizam balas à vontade do freguês e só as pobres das paredes, dos vasos, enfim tudo o que rodeia o verdadeiro alvo é que são atingidas?! E o contrário? O herói disparar e por vezes, são dois alvejados só com um tirinho… é que nem os típicos atiradores furtivos conseguem apresentar estas percentagens de êxito!

 

- Nos filmes de terror também é muito engraçado (ou não) aquele planozinho no final a dar azo à possível sequela… que só dá mesmo vontade de dizer cresçam e desenvolvam ideias para conseguirem continuar os filmes sem recorrerem a esses planos insípidos.

 

- Ainda nos filmes de terror, os barulhos suspeitos apanham sempre as protagonistas desprevenidas e meias despidas (mas raramente ouço alguém queixar-se… pelo menos no que diz respeito à secção masculina).

 

- Nos filmes em que entrem aviões, nos planos exteriores são sempre exibidos grandes exemplares, tipo o 747, mas quando passa para o interior dos mesmos, nalguns casos é evidente de que se tratam de aviões bem mais pequenos.

- Na grande maioria dos policiais, o polícia em causa só consegue decifrar o caso depois de ter sido suspenso e ter passado obrigatoriamente por uma casa de strip, ou danças exóticas. A verdade é que mais uma vez - a vertente masculina – nunca se queixa.

 

- Polícias honestos e trabalhadores morrem sempre ao serviço e poucos dias antes da reforma. Solução, nunca pedir a reforma, trabalhar até não poder mais – basicamente é isso que o nosso governo pede por isso até nem anda assim tão longe da realidade (pelo menos de algumas realidades).

 

- Quando alguém no cinema tosse, normalmente é sinal de doença grave. Livre-se de algum dos leitores tossir que o melhor mesmo é ir ao médico.

 

- A condução também é algo de estranho lá para os lados de Hollywood. Ora se conduz a olhar para o passageiro, ora se conduz sempre a virar o volante de um lado para o outro… a direcção desses carros está literalmente toda desfeita. E a quantidade de acidentes que evitam olhando para o passageiro?! É uma excelente técnica, eu próprio já a experimentei e resulta… ainda que não a aconselhe.

 

- Batom, rímel e outro tipo de maquilhagem raramente saem durante uma noite fogosa de amor ou mais espectacular ainda… raramente sujam os lençóis e o respectivo ninho do amor. A mesma coisa se passa com o penteado das damas. Depois de tanto amasso acordam lindas e esplendorosas. Conheço muitas pessoas que desejavam ter este dom. Curioso também é que para aquelas bandas depois de uma intensa troca de “carinhos” não há limpeza para ninguém (para quê não é?!) e mais curioso ainda é que acordam juntinhos e abraçadinhos como se alguém conseguisse dormir uma noite inteira com o braço por cima dela ou dele, sem pelo menos sentir um certa dormência.

 

- A dentadura perfeita, brilhante e reluzente nos filmes de época (independentemente da época). Também nessa altura não havia o cigarrinho, isso parecendo que não já ajuda.

 

- E por muito que se coma, beba… raramente se precisa de ao WC. Há bexigas com uma tremenda de uma capacidade.

 

Mas a lista poderia facilmente continuar e decerto que continuará. Na verdade podem sair listas verdadeiramente extensas, pois são imensas as situações tratadas de forma muito semelhante neste nosso meio cinematográfico. Claro que alguns exemplos são pura economia de tempo e planos, outras são provenientes de estruturas narrativas já muito delineadas (e até algo gastas) mas mesmo assim às vezes um bocadinho de mais realidade também não lhes ficava mal. E nós também não nos íamos queixar… digo eu! E utilizando não um cliché mas uma expressão típica, despeço-me de todos com o meu habitual…

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 00:12
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Sábado, 30 de Maio de 2009

E Viva lá TV!!

 

A televisão é por estes tempos, fonte de grandes produções… e da mesma forma é actualmente fonte de… grandes barracas! Também é indiscutível que o jornalismo na sua base modificou-se com o avançar dos tempos. Eu ainda me lembro (também não foi assim há tanto tempo), quando os pobres dos entrevistados mal abriam a boca, e eram logo interrompidos pelo jornalista por esta ou aquela razão. Também me lembro da célebre frase – “não está a responder à minha questão”, ou “está a desviar-se da minha pergunta” – frases que se formos a ver bem, são muitos poucas vezes utilizadas hoje. Aliás, a coisa mudou tanto que antigamente, independentemente da pertinência, ou não, da resposta esta era interrompida, e hoje deixam-nos falar e falar e falar, num exercício puro de retórica pois na grande maioria das vezes não respondem às perguntas que foram solicitadas, ou melhor contornam-nas.

 

Mas os tempos mudaram e de que maneira. Agora os entrevistados são interrompidos, porque o Mourinho chega a Portugal (que é de facto uma notícia importante) – aliás eu exijo também saber quando o Mourinho vai à casa de banho pois parece-me pertinente saber quantas vezes ao dia o senhor recorre a esse tipo de serviços da mesma forma parece-me pertinente saber quem é que vai substituir quem num reality show em pleno jornal (em directo note-se). É que se for de outra forma não poderá ser considerado jornalismo ou até serviço informativo. Discute-se muito que o jornalismo deve ser isento e imparcial, que o jornalista não deve opinar e por aí fora. A verdade é que a isenção e a não opinião, se formos a ver bem nem ocorre assim tantas vezes. Temos jornalistas que discretamente conseguem dar a sua opinião, ou a partir de um silêncio/ pausa mais prolongada, ou um olhar mais implícito ou até de um ligeiro esboçar de um sorriso. É discreto é um facto, mas a opinião está lá. Outros porém, já não o fazem de forma propriamente discreta.

 

Há televisões que gostam de marcar a sua posição, e normalmente fazem-no diferenciando-o de todos outros, se bem que me parece importante dizer – e temos que ser realistas – o nível qualitativo dos canais portugueses é manifestamente baixo (anda mesmo pelas ruas da amargura). Apesar de nem sempre nos agradarem e nem sempre serem os mais correctos também não é por isso que nos podem impedir de falar deles, afinal de contas da última vez que vi a ditadura acabou em 74, se bem que agora andemos lá perto e com a coisa mais ou menos disfarçada. Com isto chego ao acontecimento mostrado em directo (em bom jeito Português que é sedento de sangue) na passada 6ªF, na TVI. E meus amigos, a única coisa que sei, é que já vi touradas bem menos animadas. Independentemente de se gostar ou não, independentemente da cor política que cada um de nós (e eles) vestem, aquilo não pode acontecer, e acima de tudo, de jornalismo não tem rigorosamente nada. E pelo que me consta (sim porque da tvi só vejo mesmo o “House” isto é quando já não estou meio a dormir, todo torto no sofá com a saliva a escorrer-me pelo canto da boca de tanto esperar) o acontecimento da semana passada não é filho único, o que transparece uma certa gravidade na coisa. Confesso que fiquei algo espantado com as explosivas declarações de Sócrates há umas semanas atrás, mas de certa forma, a modos que fiquei a compreendê-las depois de ter visto tamanha (altercação) ou pega entre aqueles dois, que mais uma vez digo não pode acontecer num canal que se preze.

 

Mais espantado fiquei ainda com a “não” reacção do canal em causa. Quer dizer, o Sócrates fala e tem direito a resposta (defesa), por parte do responsável do programa, muito mal ensaiada diga-se (o senhor quase que engolia em seco cada vez que iniciava uma frase), onde recorrem à repetição de imagens, que inclusivamente são de um canal concorrente. Por outro lado, assistimos a uma cena destas em directo, indiscutivelmente lamentável, e não há qualquer reacção, e ainda mais grave, nem referências à situação há na emissão televisiva do jornal do dia seguinte. Ou melhor, mostram um pequeno excerto (logo no inicio da entrevista) e nada mais se fala sobre isso, como se nada se tivesse passado. Portanto abençoado youtube e afins que não permitem que o assunto seja “abafado” de forma tão simplista e desinteressante. Por sua vez são assustadores (e alguns deploráveis e infelizes, para não dizer mais) os comentários aos vídeos existentes no youtube no que respeita a esta matéria. Se por um lado a polémica pode trazer aumento de audiências, acredito que também muito facilmente as retire. E isto de tapar o sol com a peneira é vergonhoso. Se as pessoas querem e acima de tudo gostam de dar opiniões – que me parece que é no fundo a vontade da jornalista em causa – sobre os seus pontos de vista sobre este ou aquele assunto, então que se lhes dê um espaço onde eles possam exprimir o que pensam (um pouco à imagem de como o meu amigo Filipe fez comigo ao criar este espaço onde posso livremente divagar sobre os assuntos da actualidade ou outros). Sugiro então que a nomeiem comentadora residente, onde é possível (e além de lhe ficar bem ela gosta) falar sobre o que achar pertinente e opinar de forma que achar mais correcta.

 

Agora como jornalista é caso para dizer, “oh meuz amigozzzz” – há princípios éticos e deontológicos (como é referido no vídeo) que de facto devem ser cumpridos e mais importante, têm que ser cumpridos. Se não são ou se não há ninguém a fazê-los cumprir, algo está mal. Da mesma forma é importante não esquecer que o público é um bom (se não mesmo o melhor) indicador do trabalho que se faz em qualquer profissão que seja e por vezes é benéfico seguirmos algumas das indicações que nos vão sendo dadas. Pelo menos essa atitude demonstra maturidade, profissionalismo e mais importante que tudo prova que somos humildes e capazes de perceber o que facilmente pode ser melhorado, principalmente no que respeita ao canal e ao programa em causa que indiscutivelmente precisa de modificar “um” ou “dois” aspectos.

 

No fundo, os canais são livres e apenas os vê quem quer. Mas engane-se quem acha que isto resolve a questão. Pois mesmo que eu não os veja, ele existe e se existe é porque tem que apresentar o mínimo de qualidade para subsistir, e olhando objectivamente para o assunto em mãos, e sem dar razão a nenhuma das partes – até porque me parece que isso é o menos importante – às sextas-feiras qualidade é algo que não se vê muito para aquelas bandas. Está na altura de mudar, já estamos cansados, eu pelo menos estou e nem sou daqueles que acompanha com regularidade… e ainda bem se não já tinha dado em maluco!

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 17:47
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Livros e Cinema (serão assim tão diferentes)

 

Com a estreia de “Anjos e Demónios”, filme baseado num sucesso literário do autor Dan Brown, volta a surgir a questão, bastante pertinente por sinal, sobre o que é discutirmos filmes baseados/ adaptados/ inspirados em livros. E pelo que tenho andado a ler nesse vasto universo que é a internet, há uma grande percentagem de pessoas que inevitavelmente se remete ao livro quando comenta o filme, sendo quase impossível não estabelecer comparações entre os mesmos.

 

A questão além de ser pertinente é também muito interessante. De facto há coisas que simplesmente são impossíveis de se separarem. Não teria lógica tirar as batatas cozidas ao cozido à Portuguesa, a cerveja e o marisco ao arroz de marisco ou até o bacalhau ao bacalhau à Brás. Na grande maioria das vezes é um ingrediente que dá o nome ao prato que a partir daí fica a ser conhecido. Este pequeno desvio gastronómico (vamos chamar-lhe assim) serve apenas para dizer que quando algo surge a partir de uma outra coisa, muito dificilmente vamos conseguir separá-las. O mesmo se passa com o cinema. O filme surge devido a uma adaptação de um livro (com o mesmo nome, que possui as mesmas personagens, o mesmo enredo – ainda que aproximadamente), então porque não falar do livro, que é o mesmo que dizer, a obra que deu origem ao filme?

 

Por outro lado eu compreendo a razão pela qual algumas pessoas, de certa forma, que se opõem a esta necessidade de falar no livro, alegando muitas das vezes, que o livro não é mesma coisa que o cinema – pois não é, concordo – que o filme só pode ser comparado com outro filme porque com o livro não há interligação. E é aqui que reside a questão. Se se for por esta ordem de ideias, uma comparação (termo implícito) apenas pode existir entre algo que seja partilhado por ambas as partes. Se assim fosse apenas poderia comparar filmes, a partir do seu género, da sua história, dos seus protagonistas, da sua montagem ou da técnica utilizada mas todos sabemos que isto não resulta assim de uma forma tão linear. Eu posso comparar drama com acção, posso comparar o protagonista do filme A, com o do filme B e dizer qual me agradou mais. O que importa verdadeiramente, é se o filme (ou o livro) consegue subsistir no seu meio, sem ser implicitamente obrigatório conhecer o outro.

 

Eu que não conhecia a obra que deu origem a “Watchmen” achei o filme fraco, apenas por não a conhecer? Não, bem pelo contrário. Teria usufruído mais se eventualmente conhecesse a BD? Provavelmente sim, pois estaria muito mais familiarizado com os personagens, a história e isso faria com que possivelmente o filme me agradasse (ou desagradasse – também acontece por vezes) mais. O mesmo acontece com “Anjos e Demónios”. Como filme, ambos os exemplos conseguem existir e prevalecer, sem qualquer dúvida. Como adaptações literárias pode já não acontecer o mesmo, e é a meu ver o que decorre com a película de Ron Howard. Faltam-lhe elementos fulcrais da narrativa que por questões (que só a equipa sabe) não foram escolhidos para figurar na história. É também importante não esquecer o impacto que os livros/ BD´s – ou uma outra qualquer obra – pode causar no público, nos leitores (que pode varia conforma a intensidade desse impacto). Esses sim, nunca vão conseguir “desligar” dela, sendo que será provavelmente um público mais “exigente”. Para quem não conhece a obra, o filme deverá existir como filme, sendo que a experiência de visualização do mesmo poderá ser um tanto inferior, mas é de todo possível fazerem-se todas as comparações entre os dois meios, nunca perdendo a linha de horizonte, que sendo dois mundos diferentes, obrigatoriamente terão que apresentar as suas dissemelhanças.

 

Em suma é impossível retirar elementos de uma análise (mesmo que se trate de uma a um meio diferente) sem se recorrer ao “ground zero” da obra que neste caso concreto dá origem ao filme. No entanto é importante ter-se em conta as virtudes e vicissitudes necessárias para uma adaptação cinematográfica a partir de uma literária, ou de outro qualquer tipo. Exactamente da mesma forma como é impossível separar o fino dos tremoços. Há coisas que podem, e a meu ver, devem conviver em harmonia e complementaridade, daí a necessidade de se falar no livro para nos remetermos ao filme. É um complemento/ suplemento. E se quisermos até podemos chamar-lhe de “suplemento” nutritivo e a verdade é que com tanto marisco, bacalhau e cerveja, estou mesmo é a ficar com fome…
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 14:36
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Efeitos ou Enfeites?

 

Que o cinema está diferente das suas origens, é um facto no qual, provavelmente, estamos todos de acordo. Mas já no que diz respeito às técnicas utilizadas hoje em dia, estou certo que é possível encontrar várias opiniões sobre o mesmo assunto. E quando refiro “técnicas” refiro-me a essa mais-valia (na grande maioria das vezes), que costumam ser os efeitos especiais (explosões, caracterizações, miniaturas, etc.) e os efeitos visuais/ digitais (Computer Generated Imagery).


Actualmente esta categoria está muito desenvolvida, com recursos cada vez mais potentes e acessíveis que fazem com que tudo, aparente (pelo menos à primeira vista), ser muito mais simplificado – um pouco à imagem do sistema implementado pelo nosso governo, o “simplex”.

 

Mas tal como o nosso sistema não é perfeito, aliás muito longe disso, também esta aparente simplificação e banalização deste tipo de recurso técnico trás muitos dissabores. Isto porque até há muito pouco tempo parecia mais importante ter um grande filme (repleto de efeitos especiais/ digitais, o que for) em vez de um argumento sólido ou até coerente. E exemplares que padecem deste problema, são acreditem, imensos. Tendo isto em conta é até engraçado pensar e recuar no tempo, até ao Sr. Meliés (o “pai” dos efeitos especiais) e perceber como a “dupla exposição”, ou o stop-motion nos conseguiram guiar até ao que temos hoje.

 

Eu sou o primeiro a afirmar que a utilização dos efeitos especiais, no geral, pode enaltecer na grande maioria dos aspectos um filme, mas no mesmo sentido também sou o primeiro a dizer, que por vezes esses mesmos efeitos podem, fazer algo a que vou chamar de, descredibilização. Foi o que senti depois de ver a explosão de “Contrato”. Mas o que terá passado na cabeça, para se fazer a cena da explosão do carro em CGI?! – Então não era muito mais interessante, explodir um carro a sério, com a supervisão, sei lá, dos bombeiros, de uma equipa de minas e armadilhas da PSP? Ou até mesmo a minha? Gaita, se me deixassem até era eu, ou o leitor (que com tanta dedicação me segue nestas palavras), a explodir com o carro! Qualquer coisa ficaria melhor que aquilo que nos foi apresentado, que apenas consegue suscitar o riso, quase compulsivo, note-se. Mas não é só em Portugal que isto acontece, também já vi cenas semelhantes em filmes de Steven Seagal (e uma palavra de apreço a este senhor, que trabalha que nem um cão, tem uma média de três filmes por ano, o que é bastante, mas nos quais muito poucos se aproveitam, batendo recordes no que diz respeito aos épicos “chunga”) entre outros actores ou películas. Dá-me portanto a sensação, de que este síndrome esteja mais relacionado com mentalidades (produtores realizadores, seja lá quem for), do que propriamente com estética ou até recursos financeiros. Ora, CGI está na moda? Embora lá então. Curioso é que as cenas de sexo nunca são em CGI. Coincidência? Provavelmente não… Já imaginaram a trabalheira…

 

Todavia também é verdade que esta “moda” está, a meu ver, a sair de moda. A plastificação das cenas, apesar da grande evolução dos efeitos visuais, está a ser novamente substituída pelo poderio físico que é vermos um carro a explodir, um duplo a saltar ou um camião e virar-se literalmente ao contrário, como aliás podemos ver em “The Dark Knight”, com a sua impressionante magnitude, e que nos apresenta pouquíssimos efeitos digitais. Como este há muitos outros exemplares que a pouco e pouco vão demonstrando que o que interessa é acima de tudo, ter uma boa história, dando claro toda a relevância aos efeitos digitais quando eles são verdadeiramente necessários e se contextualizam com o que se pretende contar. “Watchmen” é na minha opinião, um dos casos que roçam a perfeição, da utilização de efeitos digitais na história e não a história nos efeitos especiais facto que me agradou sobremaneira.

 

No fundo é como tudo na vida. Quando uma moda pega, a coisa tem tendência para ser levada ao extremo, ou ao exagero. Resta-nos então o bom senso de algumas pessoas, a capacidade criativa para ultrapassar os obstáculos que tanto a tecnologia como a evolução da mesma nos vão colocando. Para o nosso caso em concreto, é preciso acima de tudo, bom senso. Que o publico Português gosta, como qualquer outro público de ver uma bela duma explosão, eu não tenho dúvidas, já quanto à qualidade das mesmas também é unânime. Se não resulta não se faz… ou melhor, não se deveria fazer.

 

Basta lembrar Spielberg (génios à parte claro), quando olhou pela primeira vez para a máquina que ia fazer de Tubarão, no filme com o mesmo nome, e logo percebeu que de verosímil nada tinha. Solução, fazer thriller/ terror a partir de um par de barris amarelos. A solução mais simples é quase sempre a mais eficaz. Se não, lá está, podem sempre chamar-me, que as minhas tendências de pirómano virão ao de cima e eu mesmo faço explodir o carro, ou outra coisa qualquer, mas claro uma explosão em condições. Se algum leitor se quiser juntar a mim é só avisar (e vontade não deve faltar) … se bem que eu não posso prometer nada…
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 21:20
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Sábado, 2 de Maio de 2009

Original vs Dobrado

 

Se há alguma coisa em que os DVD´s encostam tudo o resto a um canto, é nas imensas possibilidades de legendas e idiomas com que se fazem acompanhar. Porém no cinema as coisas ainda não estão (e duvido muito que alguma vez cheguem a estar) tão acessíveis quanto à partida podem parecer. Talvez por isso seja cada vez mais frequente encontrar filmes (não só no cinema mas também na televisão), dobrados na nossa tão estimada língua mãe. Esta é uma ideia já seguida por muitos países, nos quais tudo é dobrado. Eu até concordo que é uma ideologia algo idílica e até patriótica, de vermos (bem neste caso ouvirmos) tudo na nossa língua, e não vejo portanto, qualquer problema nisso, até porque como diz o ditado, “com o mal dos outros posso eu bem”. Felizmente este “patriotismo” ainda não chegou cá. Por outro lado se não existissem dobragens eu não poderia contemplar pérolas como as do “Shrek 2” com o seu “fosga-se” (facilmente confundido com outra palavra e que deixou o cinema em absoluto silêncio), ou com as dos “The Simpsons” (filme aliás que não consigo escolher nenhuma em concreto pois todo ele é uma verdadeira pérola… do riso).

 

Não se entenda com isto, que eu estou contra a dobragem de um filme, pois não é de todo esse o caso. Dão emprego a muitos (e bons) actores (aqueles que actualmente vão sendo – carinhosamente – substituídos por figuras publicas), não deixa de ser uma mais-valia para algumas editoras e no fundo há que dizê-lo, existem algumas boas dobragens para Português. É importante referir que no nosso prezado país, os filmes que sofrem dobragem, são na grande maioria de animação. De facto actualmente parece que existe, ou paira no ar, uma espécie de obrigatoriedade em dobrar filmes de animação. E também contra isso nada tenho a dizer. Se a animação é por norma constituída por bonecada e afins, o filme deve realmente conter uma versão em Português para os mais pequenos acompanharem (ou tentarem, visto que este tipo de filmes é cada vez mais para adultos e não para crianças).

 

O que eu já não posso e consigo concordar, é as distribuidoras disponibilizarem apenas cópias de filmes dobrados. Foi o caso do recente “Wall-e”, que salvo erro, possuía apenas duas cópias do filme legendado (original) … em Portugal. Como se isso não bastasse, na grande maioria das vezes, na mesma cidade não se consegue encontrar uma sala que tenha disponível a versão original. Isto é inaceitável. Sessões (por exemplo) durante o período da tarde com a versão dobrada – estou totalmente de acordo – agora na sessão da noite não terem a versão original é no mínimo chamarem-nos a todos de crianças. Elas têm os seus direitos e nós temos os nossos, e só assim por acaso e para os mais distraídos, pagamos bem mais que elas! É claro que estes seres, normalmente amorosos, não tem culpa nenhuma desta situação, mas nós também não.

 

No fundo penso que todos gostamos de consumir um produto no máximo da sua originalidade. E o cinema não foge à regra. Todo o filme, a começar pelos desenhos (no caso da animação), é concebido a partir das vozes. Aliás é recorrente gravarem-se as vozes em primeiro lugar, o que faz com que muitos dos aspectos – físicos, psicológicos ou emocionais – surjam de forma espontânea da performance do actor no processo de dobragem, o que resulta muitas vezes em composições bastante próximas da perfeição, como é o caso de Eddie Murphy com o seu “Burro” em “Shrek”. Indo um pouco mais longe, as vozes no original são trabalhadas num contexto próprio e isso só por si, determina e define a existência de um espaço delineado da narrativa e da acção de qualquer personagem, facto que não se consegue alcançar na dobragem. Prova disso, são as necessárias adaptações a piadas (como é o caso de um episódio de “Dragon Ball” em que a determinada altura, um dos personagem deixa escapar a frase, “vamos ao estádio das antas?!”), provérbios etc., que muitas das vezes, na nossa realidade simplesmente não tem força, piada ou até espaço para existirem.

 

Contudo reconheço que as dobragens em Portugal têm melhorado significativamente. Da mesma forma se denota um maior cuidado de composição e interpretação por parte dos actores. Mas é no fundo, um trabalho quase inglório, aquele em que é necessário adaptar uma voz a um corpo que por muito que se tente, nunca deixa de ser e de se apresentar como um objecto “estranho”. Será certo para muitos que as dobragens podem ser igualadas aos originais, mas também é certo para mim que muito dificilmente o vão suplantar. E mais uma vez recorrendo a uma frase feita (que não passa disso mesmo), se “o que é nacional é bom”, o que é original tende a ser bem melhor.

 

E é definitivo, mesmo no fim de toda esta exposição de ideias, não consigo esquecer a voz que deram ao meu querido Homer na versão portuguesa do “The Simpsons – The Movie”. Agora vou ter pesadelos a semana toda…
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 13:24
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

"Filmes para Maiores de…"

 

Com certeza que muitos de vocês já se questionarem de onde vêm as classificações “Maiores de 12 anos” associadas aos filmes ou a outros tipos de espectáculo. Além de se questionarem, com certeza que também já devem ter considerado algumas incorrectas ou desadequadas pelo que surge sempre a questão, quem é gere isto e como?

 

Na década de 80, praticamente logo a seguir ao 25 de Abril, foi criada uma comissão de classificação de espectáculos, mais conhecida por CCE, que apresenta como principais competências a classificação cinematográfica e teatral. Para não me prolongar muito, e para os mais curiosos e interessados, deixo aqui o endereço do decreto de lei que regulamenta a CCE, das competências e composição da CCE e por fim, os critérios gerais existentes na CCE. Isto já por si só consegue responder a muitas questões que possam surgir, ou talvez não, visto se tratarem de coisas um tanto subjectivas, principalmente no que diz respeito, aos critérios, pois alguns até dão para rir.

 

Ora então a classificação dos filmes está dependente da interpretação de um grupo de pessoas, que perfazem a comissão, pessoas como qualquer um de nós, que em conjunto terão que chegar a um consenso sobre uma determinada idade para um respectivo filme, recorrendo a certos critérios. Não há nada de estranho até aqui, tirando mesmo o artigo 3º dos critérios gerais; “Serão classificados para maiores de 12 anos os espectáculos que, pela sua extensão ou complexidade, possam provocar nos espectadores de nível etário inferior fadiga excessiva e ou traumatismo psíquico.” Isto será demasiado vago ou é apenas impressão minha? E relativamente aos DVD´s, a comissão é a mesma ou é diferente? É que não seria a primeira, nem a segunda, e muito menos a terceira vez que aconteceria um filme no cinema apresentar uma determinada classificação e posteriormente com o lançamento do DVD, essa classificação ser totalmente diferente.

 

Todavia, e se é verdade quem em muitos outros casos nem decretos de lei existem, a verdade é que aqui subsiste uma lei formulada para uma determinada situação, mas que muitas das vezes não é cumprida ou não temos quem a faça cumprir. Dito de outra forma, quantas vezes é que já assistimos a um filme para “maiores de 12”, e ao mesmo tempo estavam assistir pessoas mais novas? Provavelmente dizer muitas ou algumas acaba por ser sempre pouco. É aqui, que no meu entender, começa e termina o ridículo da situação.

 

Se por acaso pedirmos um bilhete recorrendo ao cartão de estudante, os funcionários exigem a apresentação do mesmo, verificam o dito cujo vezes e vezes sem conta, apenas porque de outra forma somos obrigados a pagar o bilhete normal. A diferença é de 50 cêntimos (mais coisa menos coisa), mas somos obrigados a mostrá-lo. Este rigor (vamos chamar-lhe assim) já não acontece com os bilhetes de identidade por exemplo. Pode estar um rapazinho, que nem ao balcão chega, o um grupo de teenagers (aqueles com as hormonas aos saltos), que quase sempre, ninguém lhes pede identificação. Aí não interessa a idade. Para quê? É plim plim a entrar por isso não há necessidade de se verificar seja o que for e muito menos verificar se se cumpre o artigo 3º em cima citado.

 

Depois claro, são os “putos” a fazerem uma verdadeira festa enquanto a projecção do filme decorre, onde saltam garrafas de água para os bancos da frente (ainda que só tenha apanhado com elas vazias), saltam pipocas ou frascos de pintarolas (mais uma vez vazios – tem sido a minha sorte). Há uma falta de cuidado enorme por parte das distribuidoras que desta forma não conseguem (nem querem) prestar um serviço de qualidade, e nós consumidores apenas nos resta lamentar, e reclamar em força. Existe uma lei e é para ser cumprida. Posso sempre ser eu que estou a ficar velho e irritadiço por natureza, ou então – e recorrendo às palavras do OTS – devo ser mesmo um E.T. perdido nesta terra de “malucos”… e se for esse caso… “E.T. phone home” (com o dedinho a apontar para cima e a desejar que acelerem o raio da nave).

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 10:35
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Ò tempo, volta para trás! (Já baixavas os preços do cinema não?)

 

Ir ao cinema hoje em dia é algo que de certa forma transcende a nossa imaginação… e a nossa carteira. A primeira porque ir ao cinema é algo que nos deixa fascinados. Seja pela beleza do filme, ou pelos protagonistas, ou então devido à música, há sempre qualquer coisa que nos causa impacto, mais que não seja o sentimento de desagrado perante determinado filme. Pelo menos eu prefiro detestar um filme do que sair da sala a não sentir rigorosamente nada. A segunda porque actualmente ir ao cinema, está mais próximo de um roubo do que propriamente um prazer – e se é um prazer então trata-se daqueles que se fazem cobrar bem.

 

Os preços dos bilhetes estão indubitavelmente demasiado inflacionados. O preço médio de um bilhete ronda os 5€, e nalgumas regiões já ultrapassa esse valor. Ora se quisermos consumir as tão apetitosas pipocas, a coisa não fica por menos de 10, 13€ (na melhor das hipóteses – pois agora imaginem uma família de 3 ou quatro pessoas). Então será assim tão estranho, perceber a razão pela qual cada vez menos pessoas vão ao cinema? Vejamos as opções. Comércio dos DVD´s (com suculentos extras e opções de som diversas); a pirataria – cada vez mais presente e com títulos sempre muito apelativos – e a possibilidade de se visionar filmes na internet sem ser preciso fazer downloads. Isto complementado com as muito frequentes, más condições de exibição, problemas técnicos resultantes em imagens desenquadrada da tela, películas já algo danificadas e som muitas vezes com mudanças bruscas de intensidade (ao que alguns – acreditem – já apelidaram de “efeitos sonoros”) e por fim, putos com as hormonas aos saltos, que não se calam durante toda a projecção. É pois então, perfeitamente natural que o cinema tenha menos espectadores. E eu sou um deles.

 

Portanto é preciso ter em conta que recorrendo a outras “técnicas”, no geral tudo fica mais barato. Fazer download de um filme, por vezes, demora apenas umas horitas. Os novos leitores de DVD já vem equipados com sistemas descodificadores e permitem (na grande maioria) ler DivX, ou seja, o filme previamente sacado pode facilmente ser visto num ecrã jeitoso, sendo ainda possível valermo-nos de um sistema home-cinema. Só ficam mesmo a faltar as pipocas, e para isso basta ir comprá-las, enquanto o filme está a ser sacado. Eu pessoalmente continuo a adorar a sensação que uma sala de cinema me transmite, mas da mesma forma também confesso que já tive muitos dissabores dentro dessa mesma sala.

Resultado, passei a ser mais selectivo com a escolha do filme, da hora da sessão e do cinema em si. Se for perto de uma escola é para esquecer, se for durante a tarde, o mais certo é apanhar com as hormonas (e pipocas) dos outros. Para isso prefiro mesmo ficar por casa, no conforto do meu sofá, e ainda que se perca em qualidade – é um facto – fica-se definitivamente a ganhar nas chatices, transtornos e más educações que não se apanham nem aturam.

 

É urgente pensar-se no cinema de uma outra maneira. Mais uma vez (e começo a desconfiar que seja de mim), não vejo a justificação para os preços aumentarem anualmente. Para quê pergunto eu? As salas continuam as mesmas, os sistemas de som passam-se anos até serem trocados, as cadeiras se estiverem partidas assim continuam, nas sessões da tarde apenas está um funcionário (na grande maioria das vezes) responsável por tudo, venda de bilhetes, venda de pipocas etc., então para onde vai esse dinheiro? E os jovens e os estudantes ainda vão tendo descontos (apesar de serem muito pouco significativos), aos outros até dói, o preço é um exagero! Continua a ser apenas e só o lucro que interessa para estas companhias, que no balanço de final de ano, se apresentam com dados, que dizem ser preocupantes, pois há decréscimos de espectadores de ano para ano, e eu pergunto, com a mesma preocupação… então isso não é óbvio? E não estaria na altura de deixarem de ser gulosos e gananciosos? Eu ainda sou do tempo em que numa semana ia pelo menos três vezes ao cinema… agora passam-se semanas sem lá ir… é que infelizmente as prioridades são outras.

 

Dá mesmo vontade de dizer, “ò tempo… volta para trás”… mas o sacaninha teima em não voltar…

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 22:44
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Sábado, 21 de Março de 2009

País de Brandos Costumes... Pipocas ou McDonald's?

 

Vivemos num país de brandos costumes, e isso é indiscutível. Da mesma forma somos um país que possui uma sociedade fundada na base do lucro, onde tudo tem preço, tudo se vende e tudo se compra. Há porém, aqueles pseudo-intelectuais (tipo eu) que afirmam que é a cultura que sai vítima desta situação, mas a verdade é que também nem liga ao que esses senhores dizem (incluindo eu). Li algures que a venda das comidinhas nos cinemas é quase 90% das vendas e do lucro. Depois do choque inicial, dei por mim a pensar naquelas pipocas que afinal de contas valem ouro. Depressa este pensamento saiu da minha mente para entrar outro. A verdadeira chafurdice que é comer pipocas enquanto se vê um filme. Se não reparem, o barulho do mastigar – muitas das vezes de boca bem aberta para todos ouvirmos (no bom sentido da partilha) – ou então a procura incessante com a mão bem aberta a percorrer todo o fundo do pacote (leia-se antes, autêntico balde), os refrigerantes e o barulho repetitivo das pedras de gelo a bater, e mais para o fim, aquele sugar apetitoso e irresistível por aquela palhinha irritante, que enoja qualquer um. Como se pode imaginar, ou constatar, são de facto elementos fundamentais para uma inesquecível banda sonora.

 

E a última que me aconteceu foi ainda mais… vamos chamar-lhe “caricata”. Estava eu preparado para iniciar a sessão (publicidades à parte claro) quando dou conta da entrada de um grupo de espectadores, no qual cada um se fazia acompanhar do seu saco de papel que ostentava a letra “M” em tons amarelados. É verdade, McDonald's em plena sala. Ou seja, além da doçura do aroma das pipocas agora também tinha o aroma salgado (e intenso) do belo do hambúrguer, acompanhado claro está, com as perguntas do costume; “onde é que pára o ketchup?”; “trouxeste guardanapos a mais para tirar a porcaria dos pickles?”; “Olha o gajo enganou-se e em vez de cola deu-me ice tea!”; Tudo isto “embalado” por esse melodioso som proveniente dos sacos e dos invólucros dos hambúrgueres. Seria para rir, se não fosse tão dramático ao que isto já chegou.

 

O que virá a seguir, foi a questão que me preencheu o pensamento durante o resto da sessão. E, feliz ou infelizmente (ainda não decidi) as possibilidades são imensas. Um caldinho verde numa taça de barro, um bacalhau à Brás ou à murro, uma sardinha assada numa fatia de broa, um cozido à Portuguesa ou o arrozinho de marisco sempre bem acompanhado com o verdadeiro copo/ jarro de vinho ou uma mini. E pensando bem, a única coisa que teria que ser mudada nas salas, seriam as cadeiras que além do já existente espaço para o copo, teriam assim que possuir um pequeno tabuleiro nas cadeiras da frente, um pouco como já se faz nos aviões, para se poder pousar o farnel enquanto se vê o filme, como uma típica casa portuguesa com certeza, onde o garrafão e o farnel são já presença habitual. Já estou mesmo a ver a perna da lagosta a sair disparada em direcção à cabeça de alguém. E se no final das sessões as salas já estão imundas “apenas” com pipocas, imaginem com estes novos upgrades… pois eu sei, ou é imaginável, ou é por demais cómico, e eu desconfio que seja mais a segunda.

 

Agora mais a sério. A verdade é que também consumo pipocas. É viciante e somos quase “obrigados” a comprar, sendo praticamente impossível dizer que não, ainda que por vezes aquele cheiro a gordura e a doce agonie qualquer pessoa. Mas além de ter algum cuidado quando as como, a verdade é que o faço para perceber o outro lado da questão. Eu não as como por prazer, como por sacrifício, que representa um serviço público, pois além de não me querer armar em “sabe tudo”, considero não ser justo falar de algo, quando não conheço de forma aprofunda o outro lado da barricada, ou deste caso, do pacote. Além do mais, e isto sim é extremamente importante, sempre é mais fácil implicar comigo e com as minhas pipocas do que com os outros e com as respectivas pipocas deles. E em última análise sempre prefiro levar com o meu barulho, do que com o barulho dos outros. Pelo menos assim só sou distraído por mim, e visto que não podes vence-los (também com uma margem de lucro desta é difícil de vencê-los) o melhor mesmo é juntarmo-nos a eles. E venha daí a pipoca pois então (por sacrifício claro)!

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 18:23
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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Cinema Português… Para onde vais tu?

 

 

Hoje dei por mim a pensar nesta questão. Não por não gostar do cinema português, pois até acho que tem muito valor, mas porque dei por mim a imaginar no que será o nosso cinema daqui a uns valentes anos. É verdade que o cinema Português no geral não agrada aos espectadores. Isto é perfeitamente aceitável e muitas das vezes até compreensível. Actualmente, a grande questão prende-se com o facto dos últimos filmes, segundo o que muitos dizem, terem marcado um ponto de viragem, na “reconciliação” (ainda que na minha opinião apenas aparente), do cinema português com o seu público. É interessante que se utilize esta afirmação recorrendo apenas e só ao factor “box office”. Ou seja, será correcto dizermos que o cinema Português está a mudar apenas porque tem mais espectadores a vê-lo? Dito de outra forma, será que o cinema Português se tornou comercial (sempre com salas cheias, economicamente viável) em vez do de autor (com muito menos lucro e mais afastado do público)?

 

Segundo Nicolau Breyner “o público Português está ávido de cinema comercial”. Pessoalmente sinto a falta de um bom filme de acção (apenas como exemplo), possuidor de cenas que me marquem, que me causem impacto. Por outro lado, tenho a certeza que não quero um filme, que não encerre uma história interessante, cativante, verosímil e acima de tudo bem escrita e realizada, pois desse “subgénero” chunga existem muitos lá para os “States”. De facto é preciso existir uma mudança, a todos os níveis, para o cinema Português crescer e amadurecer, estou inevitavelmente de acordo. O mesmo já não acontece com as medidas que têm sido tomadas para atingir essa mudança. Passo a explicar. Esta recente vaga de nudismo – que é certo que sempre existiu mas que só agora se intensificou – nos nossos filmes, é a meu ver, a única arma utilizada para angariar mais espectadores para as nossas salas. Porque é a isso que os nossos filmes se têm resumido nos quais a história é praticamente inexistente e os argumentos por norma de fraca qualidade, e aspectos técnicos na grande maioria das vezes mal aplicados. Estou seguro que o mesmo tipo de espectadores que agora as enche, depressa irá perceber que tudo isto é muito pouco e com isso passarão a exigir mais. Estado aliás onde, felizmente, muitos de nós já se encontram e eu me incluo. Só aí acredito na reconciliação.

 

Portanto mais uma vez tenho que questionar onde param os verdadeiros valores cinematográficos? Será impossível conciliar um cinema que possua uma identidade própria, uma linguagem fílmica interessante, com um cinema economicamente viável? David W. Griffit (um dos pais do cinema) conseguiu-o. Será que para o futuro queremos ver o nosso cinema reduzido a – perdoem-me a expressão – gajas nuas? A histórias(zinhas) limitadas, que se afirmam como sendo polémicas e a única polémica existente é perceber-se como é que foi possível gastar-se dinheiro para fazer determinado filme? Ou então reduzido a filmes biográficos, sejam históricos ou não, completamente isentos de qualquer valor cinematográfico, e que tão facilmente se fundem com o universo da televisão, como se os dois mundos, assim do nada se tornassem apenas num?

 

Se passar por aí, então confesso que prefiro com toda a certeza que encerro em mim, aquele cinema – o de autor – que a maioria não gosta, repudia, diz mal (muitas das vezes sem ter visto). Cinema esse longe do público, mas próximo do que foram os alicerces do cinematógrafo. Longe dos números e dos cifrões, porém próximo de ideias originais e criativas, onde se constatam boas histórias, pensadas e estudadas, aprofundadas (evidenciando cultura), ao invés de “contos” irreais, simplistas e feitos num ápice apenas para se garantir um lugar na “história”. Para mim, o cinema, qualquer cinema, tem que ser muito mais do que o “bom” ou “mau” numa relação directa, com os “muitos” ou “poucos” espectadores. Enfim… perdoem-me este desabafo mas no fundo trata-se de uma questão (e quem fala desta facilmente poderia falar de outras), bem mais complexa do que alguns produtores e realizadores (desta nova geração) querem fazer transparecer. E como já foi aqui dito anteriormente, “dá pena”!

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 21:13
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