Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Crítica: "Corrupção"

 Classificação:  (1/10)

 

Tenho de confessar que nunca pensei que tamanho sentimento fosse possível de me assaltar durante o visionamento de um filme. Mas é com este Corrupção que, pela primeira vez, os meus instintos pirómanos vieram ao de cima, tal foi a vontade de fazer explodir uma bomba no cinema para acabar com o sofrimento de todos os "enganados" que lá entraram. Senti-me na necessidade de pegar fogo à película para que mais ninguém pudesse passar por aquilo que passei com a exibição deste qualquer coisa, porque chamar a isto filme é uma verdadeira ofensa para com todos os outros… sejam portugueses ou não. Eu, que na altura do "Crime do Padre Amaro", disse ser impossível descer mais baixo no cinema português. Oh meu Deus, como estava tão enganado…

Mas vamos à crítica propriamente dita.

Guião - uma nulidade. Diálogos deslocados e fora do contexto, despropositados e isentos de qualquer estrutura narrativa, desinteressantes e enfadonhos ao ponto de algumas pessoas saírem a meio. De positivo, nada e olhem que eu até procurei bastante para ver se encontrava algo de bom. Só que, simplesmente, não existe.

Montagem – incompreensível. São erros atrás de erros, fade-outs constantes (mas será que nem produtor nem realizador sabem o que raio se quer transmitir quando se utiliza um fade-out?!). Pelos vistos não. São sequências demasiado prolongadas, como quando o presidente e Sofia fogem para Espanha, onde estamos quase um minuto a ver árvores e rails da estrada a passar. Sequências montadas sem qualquer tipo de ligação (raccords) que fazem com que o espectador perca facilmente o norte e esteja constantemente a perguntar ao colega do lado "mas como é que isto apareceu agora aqui?". Simplesmente surreal de tão má qualidade ter.

Actores – Nem tenho palavras para especificar o que vi acontecer com estes actores, quase todos de renome. É uma versão risível de direcção de actores, que simplesmente não pode ter existido. Qual terá sido a ideia de colocarem um registo teatral nos actores (principalmente em Sofia) quando o que se pede é algo cinematográfico?! Que ambiente descontextualizado é aquele vivido na casa de alterne?! Que bailarinas e respectivas danças exóticas (leia-se absolutamente burlescas e cómicas) são aquelas que nos são mostradas?! No comments…

Realização – Planos simplistas, no mau sentido da palavra, sem ritmo e emoção, aliás como todo o filme. O mais curioso é o nome escolhido para o realizar. João Botelho, que até não é mau realizador (O Fatalista). Aqui apresenta-se como um executor que desde o início não se enquadrava no perfil de filme que se pretendia. Por isso é quase inexplicável a escolha deste para Corrupção. As recentes polémicas que vieram a lume só comprovam que tanto produtor como realizador andavam à deriva no meio de mar corrupto. E se esta é a versão do produtor… e é bom que ele a pense e se fique apenas pelas funções de produção, fico à espera de versão do realizador. Sem qualquer tipo de expectativas note-se… também depois disto, expectativas é difícil tê-las.

Final do filme – não, não vos vou contar mas posso dizer que no fim de tanta coisa má… acaba por ser o melhor, porque mais uma vez, nos faz rir às gargalhadas de tão grotesco ser e porque finalmente é símbolo de que a tortura acabou… pelo menos por agora…

Palavra de apreço para Virgilio Castelo, como Vice-Presidente, que foi no meu entender a melhor interpretação do filme. E daí a classificação… doutra forma seriam mesmo zero as estrelas que tinha para classificar.

E ATENÇÃO, isto não é a imagem do cinema português. A pouco e pouco vamos melhorando, é pena que de vez em quando apareçam estes exemplos que apenas nos mostram AQUILO QUE NÃO SE DEVE FAZER. Um filme obrigatório a qualquer estudante de cinema, para aprender aquilo que nunca deve fazer. Quanto aos outros que não são estudantes de cinema… e por mais que me custe dizer isto… NÃO VÃO VER!!!

O Melhor: Sinceramente, tirando Virgilio Castelo não encontro mais nada.

O Pior: É tudo demasiado mau para ser verdade… mas infelizmente é verdade.

publicado por OlharCrítico às 17:04
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De oferreira a 6 de Novembro de 2007 às 15:41
Um filme só é bom quando não é amorfo e nos desperta os sentimentos mais primários, mesmo quando estes são ódio e revolta. Logicamente que quando isso acontece num determinado sentido também evidentemente faz-nos despertar outros na direcção oposta. Por isso mesmo se estava indeciso agora depois destes comentários fiquei definitivamente convencido e com imensa curiosidade em ver o filme. VIVA A DIFERENÇA
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