Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Crítica: "Zodiac"

 “I am waiting for a good movie about me. Who will play me?”
É certo que muitos vão comparar este filme a “Se7en”. Tal como é certo que superficialmente “Zodiac” pode parecer apenas mais um filme onde se conta a história de mais um serial-killer, sustentado numa intriga policial de descoberta. Mas, na verdade, é muito mais que isso, é uma viagem pelo cinema clássico que pretende agarrar e conduzir o espectador através da descoberta, independentemente daquilo que cada um de nós possa encontrar.
E David Fincher é um génio na realização.
Basta ver a sequência do primeiro assassinato para se perceber a sua capacidade de visualização. Consegue transmitir um total desconforto e insegurança pelo uso de vários planos subjectivos, tanto das vítimas como do assassino, e, que depois, complementa com uma grua e planos mais abertos.
Toda a recriação de S. Francisco dos anos 70 é muito trabalhada. A encenação dos crimes, o avançar da narrativa, a evolução das atitudes, da sociedade em todos os elementos que a compôem (principalmente a televisão, a rádio e a música), são cuidados até ao pormenor… Estão simplesmente perfeitos. Acrescente-se a essa mestria os detalhes deliciosos que surgem com a inserção do “Dirty Harry”, com uma evidente ligação à personagem de Mark Ruffalo e ainda uma referência a Steve Mcqueen em “Bullit”. 
A câmara de Fincher é segura e eficaz, não recorre a subterfúgios, nem a truques. É dura, simples e real, conseguindo transmitir toda a vivência da cidade e dos protagonistas, que a par do vilão acabam por se tornar em ilustres desconhecidos com o avançar do tempo. Estes avanços temporais são muito bem conseguidos com o constante aparecer de legendas, que deixam o espectador a sufocar. Palavra de apreço à banda-sonora é o acompanhamento perfeito ao desenrolar da acção.
O meu desagrado vai unicamente para a duração do filme e para pormenores relativos ao desenvolvimento das personagens. Ainda assim não é o suficiente para descredibilizar “Zodiac”. As personagens principais apresentam-se demasiado fragmentadas. É verdade que com o desenrolar da história surgem factos que as conduzem a atingirem o seu expoente máximo em determinada altura. Todavia, posteriormente, são remetidas para um quase esquecimento. Se por um lado este salto é demasiado grande, por outro encaixa nas décadas retratadas. É na personagem de Jack Gyllenhaal, Graysmith, que melhor se percebe este salto. Se na primeira parte é praticamente desconhecido, na fase final do filme é protagonista da sua obsessão e o principal motor do filme. Talvez devido a esse “salto” o filme acaba por perder aquele ritmo envolvente que o caracterizava até então, acabando por se reflectir na sensação que fica de o filme durar muito. Ainda assim, é nesta altura que se encerra uma das melhores cenas - a visita de Graysmith ao projeccionista, que muitos dirão ao nível do mestre Hitchcock.
Por fim uma curiosidade, o facto de o filme ter sido todo filmado em digital, onde pela primeira vez não foi utilizada fita como suporte. Inventou-se uma nova tecnologia e uma nova câmara, Thomson Viper FilmStream. Esta captura a imagem e processa-a directamente para um “disco rígido” através de uma configuração específica na Viper. Onde existia antes fita, passam agora a existir dados. (Mas se gostarem do tópico consultem o site Digital Content Producer, onde se pode encontrar entrevistas ao realizador e a outros membros da equipa técnica. Jorge Pinto também o refere e explica no Cinema2000).
É um grande filme e um fiel retrato de uma sociedade e de um caso que chocou o mundo, transformando-se numa das melhores histórias (policiais) que vi nos últimos tempos, e que confirma Fincher como um grande realizador, com uma imponência e qualidade fora de série... mas para quem o conhece, outra coisa não seria de esperar.
O Melhor: Praticamente tudo.
O Pior: Praticamente nada.
publicado por OlharCrítico às 21:02
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