Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Crítica: "Transformers 2: Revenge of The Fallen"


 Classificação:  (6/10)

 

“Mais” não tem que ser implicitamente “melhor”. Fui ver “Transformers 2: Revenge Of The Fallen” com alguma expectativa mas não muita confesso até porque conhecendo a filmografia do realizador, nas vezes que fez sequelas, o resultado digamos não foi propriamente o melhor. Realmente tinha-nos sido prometido mais e melhor e da mesma forma que me parece que alguém se esqueceu da segunda parte também me parece que confundiram “mais” com “a mais”.


Transformers tem demasiadas personagens e demasiado tempo em personagens que chegam a irritar. Ser-se cómico não implica necessariamente que se seja estúpido e algumas piadas protagonizadas pelos pais de Sam (que no primeiro até conseguiam ter graça) chegam a ser dramáticas de tão idiotas serem. São demasiados robots e todos acabam por aparecer pouco tempo e rigorosamente nenhum consegue apresentar pontinha que seja de caracterização. Até os transformers que já vinham do primeiro não tem qualquer tipo de caracterização. A título de exemplo, a relação de Bumblebee com Sam é inexistente, não tem qualquer tipo de exploração ou aprofundar. A verdade é que se trata de uma sequela ainda que por aquilo que nos é constantemente apresentado facilmente se pense que apenas se trate de um primeiro capítulo. E não podendo afirmar com toda a certeza, tenho a impressão que Bumblebee (apenas como exemplo pois poderia facilmente escolher outro), aparece em menos planos do que aqueles em que podemos literalmente contemplar o poderio militar americano. O Devastator, por muito perfeito que esteja na sua composição digital, aparece apenas durante 10 minutos de filme, se tanto e o mesmo acontece com muitos dos outros robots que não tem tempo para protagonizarem um filme ao qual dão nome.


Relativamente ao argumento, não posso deixar de dizer que tem algum, mas também não posso ir mais longe. Continua a ser demasiado previsível e cheio de clichés bem ao género do cinema de Bay. Neste segundo capítulo não se trata de um filme sobre robots, isto é de forma evidente e declarada um filme sobre os militares norte-americanos no qual lá pelo meio se resolveu introduzir robots. Eu estou seriamente tentado a ir ver novamente apenas para contar os planos em que aparece tecnologia ou instrumentos militares. Continuando, é muito provavelmente o filme que vi nos últimos tempos com maior quantidade de piadas fáceis, inconsequentes, ridículas e infantis. As primeiras ainda passam mas rapidamente se transformam num sacrifício. Os actores até que se salvam, fazem o que podem e estão ao nível do que nos habituaram no primeiro capítulo. Shia Labeouf sempre muito frenético, Megan Fox sensual quanto baste, os pais de Sam como já referi, tentam a tudo o custo ser engraçados mas sem sucesso. John Turturro também não desilude perante o primeiro, ou seja, continua com uma tremenda pancada mas que lá no fundo penso que acaba por ser bem conseguida. Ramon Rodriguez, uma estreia, tem bons momentos. Os militares são puramente secundários (o quase parece um contra-censo mas não é) e se no primeiro já não apareciam muito agora ainda menos protagonismo têm.


É acção a mais e como se isso não bastasse, muitas das vezes é mal filmada de tal forma que nalguns casos chega a ser gritante a má ligação entre as sequências. Quando é que Bay vai perceber que uma filmagem/montagem rápida não tem que incluir planos que não se consigam perceber? Quando é que Bay vai perceber que a câmara não pode estar tão próxima da acção porque simplesmente não resulta? São muitas explosões muito fogo de artificio, muita corrida, muita confusão, espalhafato e barulho, muita carnificina que fazem com que lá para o meio já deixe de interessar o Optimus Prime, Bumblebee, Megatron, Sam ou outro qualquer personagem e apenas ficamos à espera de ver o que é que Bay vai explodir a seguir! Todavia é precisamente no som que reside o ponto alto do filme. O trabalho de composição sonora para este filme está irrepreensível. O efeitos especiais no geral e toda a componente técnica estão bastante aprimorados, e é devido a isso que leva a classificação que leva, pois de outra forma seria significativamente mais baixa. O realizador recorre-se do slow motion em quantidades industriais e afastar ligeiramente a câmara do ponto de acção era suficiente para mostrar ao espectador o que pretende de uma forma eficaz. Por tudo isto parece óbvio que diga que o filme é demasiado extenso. É demasiado tempo perdido com assuntos e personagens redundantes que só atrasam o filme.


Em suma, não ia à espera de visionar uma obra de arte, é certo, mas ia à espera de ver algo bem melhor (e até maior) do que aquilo que me foi apresentado. Também eu gosto de um filme com largas doses de adrenalina, acção, pancadaria entre robots e tudo mais, mas gosto principalmente quando é bem feito. O primeiro capítulo, com todos os seus defeitos e virtudes, acaba por ser um produto mais equilibrado e coerente que no fim me agradou sobremaneira. Tudo estava mais ou menos nas proporções certas. O principal problema deste segundo capítulo reside, a meu ver, na realização que resulta num tremendo falhanço. Michael Bay é uma criança com corpo de adulto e este filme comprova e esclarece algumas dúvidas que ainda poderia ter. Não sabe para mais ou não quer saber para mais. Tal como Ron Howard, ver um filme de Bay é ver todos os seus filmes. Do ponto de vista técnico é muito competente mas não tem a mínima qualidade para estar à frente deste tipo de filmes. E a partir daqui vai ser sempre a descer isso é certo. Pena, porque Transformers é muito mais que isto e acima de tudo muito melhor e consequentemente necessita de ter um realizador que consiga ver mais e mais além das tão já vistas e gastas explosões, perseguições de carros, montras de consumíveis do exército americano, piadas fáceis ou até melodramas chungas. Estou cansado deste tipo de cinema.


O MELHOR: A componente sonora e visual.


O PIOR: A realização de Bay que já chateia.

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publicado por OlharCrítico às 20:54
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