Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Futebóis

 

Com o recente “Star Crossed” e independentemente de algumas considerações e opiniões que já tive de oportunidade de ler, pois eu ainda não vi o filme, emergiu no meu pensamento uma conversa que já tive há algum tempo com o Filipe, sobre os variados tipos de desportos retratados no cinema. Lembrou-me particularmente de uma frase em que dizia, “é impressão minha ou o futebol nunca teve um filme à altura do desporto em si?”

 

Realmente são imensos os filmes que se dedicam por inteiro à transposição de um determinado desporto para a tela. Há por outro lado, desportos que até quase que já cansa ver no grande ecrã, como são os casos do futebol americano e basebol. Ainda que de uma forma bastante safada me continuem a escapar alguns pormenores sobre as regras de ambos os desportos. Safadezas à parte a verdade é que quase todos os desportos têm pelo menos um filme que se pode considerar bastante bom, ou acima de média. “Duelo de Titãs” e “Um Domingo Qualquer” ficaram sempre no meu pensamento na categoria de futebol americano, “Bobby Jones” ou “A Lenda de Bagger Vance”, no que diz respeito ao golfe, “Wimbledon” relativamente ao ténis, “The Rookie” ou “Campos de Sonhos” para o basebol e entre muitos outros desportos lá pelo meio. Relativamente ao tema em discussão não posso deixar de referir o “Victory” e o mais recente “Golo”, ambos alusivos ao nosso tão conhecido (e fundamental, às vezes parece que o povo Português não conseguiria viver sem ele…) futebol.

 

Concretamente no futebol, assim de repente são esses dois que me vêm à cabeça, apesar de saber da existência de outros como “Grace” e alguns provenientes de outros continentes e culturas que confesso, não consigo recordar agora os títulos. Portanto a questão colocada pelo nosso amigo Filipe parece ganhar cada vez mais densidade e pertinência. Pessoalmente e remetendo-me ao mais recente “Golo”, acho que se trata de um filme interessante, provavelmente um dos que mais usufruiu de imensos recursos, mas que no fundo e no que objectivamente diz respeito ao desporto, não consegue captar a essência do jogo no relvado. Aliás foi algo que nunca tentei mas pelo que tem sido feito, parece haver uma tremenda dificuldade em filmar futebol como deve de ser, igualando por sua vez, o que se faz com outros desportos que são retratados de forma fiel e mais realista.

 

Aqui entra “Victory” que penso que em Português foi traduzido para “Fuga para a Vitória”. Continua a ser, pelo menos para mim, o supra sumo dos representantes do futebol na sétima arte. Não só pela história, não só pelo Pelé mas acima de tudo pela capacidade de nos mostrar o futebol em si, muito próximo do que nós conhecemos dele. Uma filmagem interessante recheada de pormenores cativantes que no fundo se fundem com o desporto em si e com a equipa que o pratica. Quando vejo um filme sobre futebol, fico sempre com aquela sensação estranha, que é um desporto que se joga apenas com um elemento, que finta tudo e todos, que marca recorrentemente golos de pontapés de bicicleta que faz grandes fintas sem que ninguém lhe dê uma valente de uma sarrafada que lhe tire o raio da bola. Algo que não senti enquanto visionava “Victory”. Sim, após algumas considerações a verdade é que se me perguntassem qual seria o melhor filme que vi sobre futebol – e apesar de reconhecer algumas mais-valias a alguns exemplares mais recentes… escolheria com toda a certeza “Victory”. À grande Stallone na baliza!

 

Em suma, dificuldades técnicas ou outras à parte é um facto que filmar futebol é um processo complexo. Não existem assim tantos exemplares que abordem essa temática e os que existem, enfim deixam-nos com água na boca. O que no fundo acaba por dar total razão ao nosso amigo Filipe. Por fim e se formos a ver bem as coisas… nem todos são Pelés ou Cristianos Ronaldos! O que no caso deste último é bom (aliás muito bom) pois de outra forma ninguém saberia onde iríamos estar daqui a três anos, já viram a chatice… mas por outro lado ganharíamos 24 mil euros por dia… ai escolhas escolhas, são sempre tão difíceis…

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 21:52
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4 comentários:
De Me a 16 de Junho de 2009
Caro André

Primeiramente, e por ser estreante nos comentários às suas crónicas (embora na leitura não seja estreante e até tenho acompanhado com frequência), tenho de felicitá-lo pelo excelente trabalho que tem feito. Este trabalho revela qualidade, não só ao nível da escrita criativa, mas também na originalidade, na imaginação, na perspicácia de selecção dos temas apresentados, na vertente profissional explanada ao "leigo leitor", no humor... enfim, para quê palavras de classificação de algo que todo os leitores podem ver e tão bem apreciar. Confesso, que a minha vida não me permite apreciar o cinema tanto como desejaria, mas bem cá vou comendo a pipoca na grande sala, quando o relógio do quotidiano me permite, e o consumo caseiro também o faço tanto quanto possivel. Contudo, e como a todas as obras de arte, porque o cinema é uma arte e os filmes são uma obra, estas obras sugam-me e saboreio-as ao limite,(acho que o Estado devia ter descontos recuperaveis no IRS para quem consumisse cultura. Talvez assim, o "tuguinha" fosse mais culto. Peço desculpa por este aparte!) porque uma boa obra faz-nos viajar e conquistar um espaço só nosso. Por vezes não é só nosso, e é no momentode partilha, que goto de lêr umas linhas de um bom crítico. Assim, e remetendo-me ao tema desta semana, falando de futebol, concordo totalmente consigo quando fala do futebol americano. É, sem dúvida, um desporto presente em inúmeros filmes "made in USA" ( e também ainda não consegui captar a totalidade das leis do jogo, talvez necessitasse de um estágio intensivo no local), e o belo do futebol europeu tem um retrato muito ténue no cinema. Aliás, até mesmo o cinema actualmente produzido no Brasil, de qualidade emergente ( na minha modesta opinião), não caracteriza o seu futebol em qualquer filme recente do meu conhecimento. E continuando nessa zona , o mesmo se pode dizer relativamente á ausência do futebol sul-americano (que tantos talentos fornce á Europa) que não tem lugar na grande tela.
Não posso acabar sem referir o futebol nacional,e vou abster-me de comentar milhões de euros(porque não consigo ter noção de tanto número, nem quero ter, para continuar a ser uma pessoa economicamente ignorante de forma voluntária mas feliz), mas os profissionais do cinema português também não nos presenteiam com uma obra em que o futebol nacional tenha presença marcante no argumento. Note-se que para tal afirmar, não considero aquela tentativa de filme alusivo ao negocio criminoso por detrás daquela história "documentada" pela senhora anónima (até ha alguns anos atrás) que se relacionou com o outro senhor ( grande referência do futebol nacional, oriundo do norte do país).Porque isso não só não contempla o desporto propriamente dito, em termos de cena de filme, como não oferece qualidade que mereça grandes considrações. E, alerto para o facto de não gostar de ser dura nas críticas a profissionais (seja de que área for), mas quando há tanto dinheiro em jogo, por favor, façam trabalho de qualidade, e esta súplica volta-se também para o cinema. Seja com o futebol, ou com outro desporto, ou qualquer outra temática no argumento, gastem o dinheiro (que é pouco para a cultura nacional, até porque receio que o sr CR não irá investir em cinema) bem gasto!
Bem, e aqui deixo o meu comentário, que já não vai curto, agradecendo ao cronista por partilhar semanalmente algum do seu saber com quem deseja estar mais perto da grande tela.
Cumprimentos,
Me
De OlharCrítico a 16 de Junho de 2009
Cara ME,

Sendo a sua primeira passagem pelo mundo dos comentários resta-me dizer-lhe que em boa hora o fez pois partilha ideias interessantes e pertinentes que em tudo adensam esta troca de reflexões sobre o mundo do cinema. Não é que seja bem um profissional no assunto, há quem saiba mais e melhor mas falar de cinema é algo que me faz sentir imensamente bem e é acima de tudo um gosto muito pessoal também partilhado pelo criador do blog. E note-se, não é preciso ser-se entendedor de um determinado assunto para se poder falar dele. Se assim fosse este mundo seria uma tremenda de uma seca.

Gostei da sua sugestão relativamente ao IRS. Quem mais se cultivasse mais beneficies teria na apresentação do IRS. Por outro lado também não sei até que ponto é que isto iria para a frente, pois temos que admitir que o “tuguinha” – como tão eloquentemente o denominou – muitas das vezes também prefere ficar na ignorância do que levantar o rabiosque da cadeira para, mais que não seja, ir ligar o computador e pesquisar qualquer assunto. Mas a ideia parece-me muito pertinente mesmo e já estou a ver a discussão que iria dar no parlamento com as recorrentes trocas de insultos entre os vários elementos da bancada.

Quanto ao futebol propriamente dito, também refere uma questão muito pertinente. Sim não precisa de ter modéstia, pois o cinema brasileiro que indiscutivelmente se tem renovado e acima de tudo melhorado consideravelmente, também não consegue apresentar um objecto cinematográfico sobre futebol que seja relevante. E é pena até porque é um país com enorme cultura futebolística e pelo que nos têm mostrado nos seus mais recentes filmes, parece-me que jeito e aptidão (competências), sinceramente não lhes faltam.

Em Portugal o caso ainda está pior. O exemplo que refere, “Corrupção”, filme já por mim aqui criticado neste blog e com a pior nota que alguma vez dei a um filme neste espaço, de facto não contempla o desporto propriamente dito mas ainda menos oferece no patamar do cinema ou de qualquer outro possível assunto.

No fim acho que se resume mesmo a uma simples questão, a da cultura. Não é que esteja à espera que seja alguém a investir no cinema em si, muito menos pessoas ligadas ao futebol, que de altruístas pouco tem apresentado. Somos inclusivamente um dos poucos países que não tem um plano para a cultura no geral. Oferecem-se Magalhães a torto e a direito com programas carregados de erros ortográficos mas não se oferecem (ou raramente o fazem) bilhetes por exemplo, para o teatro. As companhias de teatro têm poucas ajudas estatais, o cinema só um ou outro nome é que consegue apoio e aprovação para o seu projecto avançar e são apenas dois exemplos quando todos sabemos que no fundo a questão é bem mais grave, enquanto os ilustres desconhecidos, assim se vão mantendo devido àquilo a que alguns chamam de forças das circunstâncias.

Concordo consigo totalmente, quando diz, se for para fazer então que se faça bem. Mas também ambos sabemos que vivemos num país que pouco ou nada liga ao bem feito mas sim ao feito. O que interessa é fazer e pouco mais. E eu ao contrário de si crítico duramente, faço-o de forma evidente e repudio esse tipo de maneira de estar. Vivemos num país de imagem de parecermos aquilo que não somos… e se formos a ver bem as coisas… é exactamente isso que se passa no cinema, ou noutra qualquer área relacionada com a cultura. E a título de exemplo. Sem irem procurar ou pesquisar assim de repente quantos de nós se lembram do nome do ministro responsável pela cultura?! Para quê?! Raramente vemos a sacaninha dessa coisa chamada cultura… tirando, lá está, o futebol!

Cara ME, cá a espero com futuros comentários. Por agora despeço-me sem deixar de agradecer as palavras tão amáveis e simpáticas com que me presenciou no seu comentário. É certo que todos gostamos de ver o nosso trabalho reconhecido e também eu não sou excepção. Agradecimentos que não posso deixar de partilhar de forma natural com o criador do blog, pois sem ele nada desta partilha tão agradável de ideias seria possível. Cá estamos e cá vamos continuar a estar.

Cumprimentos cinéfilos.

A.S.




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