Sábado, 23 de Maio de 2009

Livros e Cinema (serão assim tão diferentes)

 

Com a estreia de “Anjos e Demónios”, filme baseado num sucesso literário do autor Dan Brown, volta a surgir a questão, bastante pertinente por sinal, sobre o que é discutirmos filmes baseados/ adaptados/ inspirados em livros. E pelo que tenho andado a ler nesse vasto universo que é a internet, há uma grande percentagem de pessoas que inevitavelmente se remete ao livro quando comenta o filme, sendo quase impossível não estabelecer comparações entre os mesmos.

 

A questão além de ser pertinente é também muito interessante. De facto há coisas que simplesmente são impossíveis de se separarem. Não teria lógica tirar as batatas cozidas ao cozido à Portuguesa, a cerveja e o marisco ao arroz de marisco ou até o bacalhau ao bacalhau à Brás. Na grande maioria das vezes é um ingrediente que dá o nome ao prato que a partir daí fica a ser conhecido. Este pequeno desvio gastronómico (vamos chamar-lhe assim) serve apenas para dizer que quando algo surge a partir de uma outra coisa, muito dificilmente vamos conseguir separá-las. O mesmo se passa com o cinema. O filme surge devido a uma adaptação de um livro (com o mesmo nome, que possui as mesmas personagens, o mesmo enredo – ainda que aproximadamente), então porque não falar do livro, que é o mesmo que dizer, a obra que deu origem ao filme?

 

Por outro lado eu compreendo a razão pela qual algumas pessoas, de certa forma, que se opõem a esta necessidade de falar no livro, alegando muitas das vezes, que o livro não é mesma coisa que o cinema – pois não é, concordo – que o filme só pode ser comparado com outro filme porque com o livro não há interligação. E é aqui que reside a questão. Se se for por esta ordem de ideias, uma comparação (termo implícito) apenas pode existir entre algo que seja partilhado por ambas as partes. Se assim fosse apenas poderia comparar filmes, a partir do seu género, da sua história, dos seus protagonistas, da sua montagem ou da técnica utilizada mas todos sabemos que isto não resulta assim de uma forma tão linear. Eu posso comparar drama com acção, posso comparar o protagonista do filme A, com o do filme B e dizer qual me agradou mais. O que importa verdadeiramente, é se o filme (ou o livro) consegue subsistir no seu meio, sem ser implicitamente obrigatório conhecer o outro.

 

Eu que não conhecia a obra que deu origem a “Watchmen” achei o filme fraco, apenas por não a conhecer? Não, bem pelo contrário. Teria usufruído mais se eventualmente conhecesse a BD? Provavelmente sim, pois estaria muito mais familiarizado com os personagens, a história e isso faria com que possivelmente o filme me agradasse (ou desagradasse – também acontece por vezes) mais. O mesmo acontece com “Anjos e Demónios”. Como filme, ambos os exemplos conseguem existir e prevalecer, sem qualquer dúvida. Como adaptações literárias pode já não acontecer o mesmo, e é a meu ver o que decorre com a película de Ron Howard. Faltam-lhe elementos fulcrais da narrativa que por questões (que só a equipa sabe) não foram escolhidos para figurar na história. É também importante não esquecer o impacto que os livros/ BD´s – ou uma outra qualquer obra – pode causar no público, nos leitores (que pode varia conforma a intensidade desse impacto). Esses sim, nunca vão conseguir “desligar” dela, sendo que será provavelmente um público mais “exigente”. Para quem não conhece a obra, o filme deverá existir como filme, sendo que a experiência de visualização do mesmo poderá ser um tanto inferior, mas é de todo possível fazerem-se todas as comparações entre os dois meios, nunca perdendo a linha de horizonte, que sendo dois mundos diferentes, obrigatoriamente terão que apresentar as suas dissemelhanças.

 

Em suma é impossível retirar elementos de uma análise (mesmo que se trate de uma a um meio diferente) sem se recorrer ao “ground zero” da obra que neste caso concreto dá origem ao filme. No entanto é importante ter-se em conta as virtudes e vicissitudes necessárias para uma adaptação cinematográfica a partir de uma literária, ou de outro qualquer tipo. Exactamente da mesma forma como é impossível separar o fino dos tremoços. Há coisas que podem, e a meu ver, devem conviver em harmonia e complementaridade, daí a necessidade de se falar no livro para nos remetermos ao filme. É um complemento/ suplemento. E se quisermos até podemos chamar-lhe de “suplemento” nutritivo e a verdade é que com tanto marisco, bacalhau e cerveja, estou mesmo é a ficar com fome…
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 14:36
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