Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Ò tempo, volta para trás! (Já baixavas os preços do cinema não?)

 

Ir ao cinema hoje em dia é algo que de certa forma transcende a nossa imaginação… e a nossa carteira. A primeira porque ir ao cinema é algo que nos deixa fascinados. Seja pela beleza do filme, ou pelos protagonistas, ou então devido à música, há sempre qualquer coisa que nos causa impacto, mais que não seja o sentimento de desagrado perante determinado filme. Pelo menos eu prefiro detestar um filme do que sair da sala a não sentir rigorosamente nada. A segunda porque actualmente ir ao cinema, está mais próximo de um roubo do que propriamente um prazer – e se é um prazer então trata-se daqueles que se fazem cobrar bem.

 

Os preços dos bilhetes estão indubitavelmente demasiado inflacionados. O preço médio de um bilhete ronda os 5€, e nalgumas regiões já ultrapassa esse valor. Ora se quisermos consumir as tão apetitosas pipocas, a coisa não fica por menos de 10, 13€ (na melhor das hipóteses – pois agora imaginem uma família de 3 ou quatro pessoas). Então será assim tão estranho, perceber a razão pela qual cada vez menos pessoas vão ao cinema? Vejamos as opções. Comércio dos DVD´s (com suculentos extras e opções de som diversas); a pirataria – cada vez mais presente e com títulos sempre muito apelativos – e a possibilidade de se visionar filmes na internet sem ser preciso fazer downloads. Isto complementado com as muito frequentes, más condições de exibição, problemas técnicos resultantes em imagens desenquadrada da tela, películas já algo danificadas e som muitas vezes com mudanças bruscas de intensidade (ao que alguns – acreditem – já apelidaram de “efeitos sonoros”) e por fim, putos com as hormonas aos saltos, que não se calam durante toda a projecção. É pois então, perfeitamente natural que o cinema tenha menos espectadores. E eu sou um deles.

 

Portanto é preciso ter em conta que recorrendo a outras “técnicas”, no geral tudo fica mais barato. Fazer download de um filme, por vezes, demora apenas umas horitas. Os novos leitores de DVD já vem equipados com sistemas descodificadores e permitem (na grande maioria) ler DivX, ou seja, o filme previamente sacado pode facilmente ser visto num ecrã jeitoso, sendo ainda possível valermo-nos de um sistema home-cinema. Só ficam mesmo a faltar as pipocas, e para isso basta ir comprá-las, enquanto o filme está a ser sacado. Eu pessoalmente continuo a adorar a sensação que uma sala de cinema me transmite, mas da mesma forma também confesso que já tive muitos dissabores dentro dessa mesma sala.

Resultado, passei a ser mais selectivo com a escolha do filme, da hora da sessão e do cinema em si. Se for perto de uma escola é para esquecer, se for durante a tarde, o mais certo é apanhar com as hormonas (e pipocas) dos outros. Para isso prefiro mesmo ficar por casa, no conforto do meu sofá, e ainda que se perca em qualidade – é um facto – fica-se definitivamente a ganhar nas chatices, transtornos e más educações que não se apanham nem aturam.

 

É urgente pensar-se no cinema de uma outra maneira. Mais uma vez (e começo a desconfiar que seja de mim), não vejo a justificação para os preços aumentarem anualmente. Para quê pergunto eu? As salas continuam as mesmas, os sistemas de som passam-se anos até serem trocados, as cadeiras se estiverem partidas assim continuam, nas sessões da tarde apenas está um funcionário (na grande maioria das vezes) responsável por tudo, venda de bilhetes, venda de pipocas etc., então para onde vai esse dinheiro? E os jovens e os estudantes ainda vão tendo descontos (apesar de serem muito pouco significativos), aos outros até dói, o preço é um exagero! Continua a ser apenas e só o lucro que interessa para estas companhias, que no balanço de final de ano, se apresentam com dados, que dizem ser preocupantes, pois há decréscimos de espectadores de ano para ano, e eu pergunto, com a mesma preocupação… então isso não é óbvio? E não estaria na altura de deixarem de ser gulosos e gananciosos? Eu ainda sou do tempo em que numa semana ia pelo menos três vezes ao cinema… agora passam-se semanas sem lá ir… é que infelizmente as prioridades são outras.

 

Dá mesmo vontade de dizer, “ò tempo… volta para trás”… mas o sacaninha teima em não voltar…

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 22:44
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De On_The_Stage a 5 de Abril de 2009 às 20:23
Caro André:

Mais uma vez tenho de o parabentear pelo magnífico espaço que aqui apresenta. Ideias claras, carregadas de actualidade e pertinência que dão voz ao que ecoa nas mentes de muitos, mas que por vergonha ou apenas por falta de oportunidade não se dispõem a publicitar.

Eu sou do tempo em que com 500$00, hoje uns insignificantes 2,5€, ia ao cinema. Parece irreal eu sei, mas aconteceu. Hoje esse valor nem para metade do bilhete chega. O que me leva a dizer que a Cultura é cada vez mais uma necessidade cara. Poderia ter dito hobbie, mas não, para mim a Cultura é uma necessidade. É inadmissível que os nossos horizontes, que deveriam ser alargados e a imaginação cultivada com a Literatura, o Cinema, a Música e o Teatro, sejam vedados ao comum do mortal por uma questão de dinheiro…

A que nos conduz isso? A gerações de incultos, alienados pela internet e “descultivados” pela nossa degradante televisão. Incapazes de ler um texto sem gaguejar, pois livros são “aquelas coisas que os chatos dos profes nos pedem para carregar todos os dias”, de imaginar o que quer que seja, pois “dá muito trabalho e já foi tudo inventado”, a adoptarem comportamentos adequados, pois ser (perdoe-me a frontalidade) ser estúpido e bronco é o que está a dar e até dá audiências e fama no Youtube.

É inconcebível que haja miúdos que não saibam quem foi o Hitler (parece mentira mas já me passaram pelas mãos) e não me venham dizer que a culpa é dos professores. A culpa é de todos, mas acima de tudo daqueles que tornam inacessível o que deveria estar ao alcance de todos. Que tornem verdadeira aquela excelente frase que adoram pôr nos compêndios da escola “o saber não ocupa lugar”. Ocupar não ocupa, mas é preciso que se diversifique e se torne acessível os meios de construção desse saber.

E mais uma vez peço desculpa por me ter desviado do cerne da discussão. E tal como qualquer outro espectador consciencioso da sua carteira, também eu sou alguém que aplica um filtro cada vez mais estreito na escolha de um filme na sala de cinema.
Mais uma vez obrigada pelo estímulo intelectual que proporciona.

Cumprimentos cinematográficos

OTS
De OlharCrítico a 6 de Abril de 2009 às 11:07
Caro OTS,

Como eu o entendo e me revejo nas suas palavras, nalgum do seu desencanto com algumas coisas que o rodeiam. Sim a cultura é (inexplicavelmente) uma necessidade cara. Não só no cinema mas no seu geral, vejam-se os preços dos livros, dos discos, do teatro, dos concertos do cinema etc. Eu até nem me importaria, se constatasse investimento (fosse de que cariz fosse), nas diversas áreas de cultura, mas isso não existe. Sim constroem-se shoppings e salas de cinema mas isso não chega. Nem muito menos chega a ser cultura, e a única coisa que continua a interessar é o lucro.

E sim para alguns a cultura é apenas um hobby, facilmente interrompido por outra qualquer coisa que entretanto apareça. O único problema que engloba tudo isto é mesmo uma sociedade consumista que neste momento vive para utilizar e deitar fora logo a seguir. E o preço, ou o dinheiro acaba por ser uma barreira para muitos, e normalmente uma barreira intransponível para aqueles que não podem (mas até querem), e uma barreira facilmente ultrapassável para aquelas que podem (mas no fundo é-lhes indiferente se querem ou não).

Também lhe garanto que a culpa não é definitivamente dos professores, e vou mais longe até, se houver culpa de alguém é muito mais natural que seja dos pais (que hoje em dia protegem demasiado os filhos – mesmo nas asneiras) do que dos professores. Por isso não será de estranhar a constatação numa base diária dessa ignorância e falta de cultura de uma geração mais nova que refere. De facto a televisão não ajuda, chega a ser na maioria das vezes hedionda, mas é disso que ela é feita. Na internet passa-me o mesmo, e como disse “dá muito trabalho e já foi tudo inventado”. E se já foi tudo inventado, para muitos só sobra mesmo ser bronco e tentar fazer sucesso a partir daí. É triste mas não deixa de ser uma realidade, ainda que apenas para alguns (mas neste capitulo, por muito poucos que sejam, já são sempre muitos).

Apesar de conhecer a frase “o saber não ocupa lugar”, o OTS deu-lhe uma nova relevância e pertinência. Mas quantas vezes já vimos, vemos e vamos continuar a ver, ideias e ideais perfeitos que não passam do papel? Essa frase é apenas um dos muitos exemplares que o nosso país, carinhosamente alberga.

Para terminar agradecer as palavras com que me presenteia. Não deixa de ser reconfortante e muito agradável ter um espaço onde posso expressar opiniões sobre variadíssimos assuntos, e ainda obter o feedback por parte de quem me lê, isto até porque ninguém gosta de falar sozinho.

Um sincero obrigado a todos pelo tempo que também me dedicam.

Cumprimentos cinematográficos

A.S.
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