Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Crítica: The Dark Knight

 Classificação:  (9/10)

 

Após muito se ter ouvido, lido e comentado, finalmente Batman chega às nossas salas de cinema. Foi com grande expectativa que fui ver este filme. Apesar de se saber muito sobre a sua campanha de marketing, resolvi cortar com tudo o que era informação relativa a este filme antes da sua estreia. Queria vê-lo na sua simplicidade sem automaticamente o estar a desconstruir enquanto o visionava. Desde o inicio que o filme promete. Gosto muito da introdução a todas os personagens pois é feita de forma exemplar, cada um no seu papel. A história a pouco e pouco vai-se desenrolando, ainda que ache que na primeira hora o filme precisaria de mais ritmo.


A história, e mais concretamente o argumento, parecem-me conter pontos de todo muito interessantes. São várias as questões que vão surgindo, tanto do foro mais intelectual, como pessoal ou humano. No que respeita a estas questões, apenas lamento que nenhuma delas tenha sido verdadeiramente aprofundada, o que penso que iria trazer mais densidade e dramatismo à narrativa. Apesar de a história ser algo sinuosa com muitos pontos de viragem, penso que consegue ser bastante eficaz visto que agarra, ou pretende agarrar o espectador até ao último segundo de filme.


As personagens e quem as compõem estão todas muito bem conseguidas. Batman, ainda que de certa forma relegado para segundo plano, consegue manter a sobriedade necessária. Talvez falte um pouco de caracterização do lado humano de Bruce Wayne mas de certa forma é compreensível. Há coisas mais importantes para serem exploradas e no primeiro já se fazia bastante dessa caracterização.


Joker, é absolutamente genial. Dizerem, como já li nalguns sites, que Heath Ledger não fez mais do que o seu trabalho de actor, é desprestigiar e minimizar a verdadeira magnitude de tamanha performance. Excelente caracterização física (máscara), e ainda mais impressionante a perspectiva emocional descontrolada que lhe confere a sua maneira de ser. Tudo é perfeito. As mãos sempre sujas, e o olho e a sua maquilhagem que esborrata ligeiramente a pintura de “palhaço” e toda a dimensão diabólica e má que este Joker consegue passar ao espectador. Praticamente em todas as interpretações, se consegue perceber o actor que por detrás lhe dão corpo. Neste caso isso não acontece. É apenas Joker que existe, proveniente de um conhecimento muito intrínseco daquilo que o actor pretendia para este personagem. Isso tem tanto de notável quanto de memorável. E por muito que digam, não o consigo comparar seja com quem for. Cada um existe no seu registo, e cada um cumpre a sua função. São objectos incomparáveis.


De igual forma muito bem conseguido, Harvey Dent. Uma excelente interpretação, muito segura e sóbria, que acaba por se tornar todo o motivo de desenrolar da história. É muito interessante a composição que este personagem sofre ou vai sofrendo durante o avançar do filme, tanto a nível emocional como interpretativo.


Todos os secundários estão igualmente bem e recomendam-se. Morgan Freeman, e Michael Caine, até podem falar pouco mas quando falam, abafam tudo à sua volta. Rachel, interpretada por Maggie Gyllenhaal, é uma actriz que Katie Holmes nunca vai conseguir ser. Gary Oldman, está perfeito, e nada mais me apraz dizer.


Relativamente aos efeitos especiais, foi uma escolha acertada a decisão de se fazer praticamente tudo sem recorrer ao CGI. Transmitem uma credibilidade ao espectador fora do comum, e além disso são muito mais apelativos a quem vê. Por outro lado, quando o CGI é utilizado, normalmente a coisa não corre muito bem. Pessoalmente detestei a caracterização de Two-Face, pois nada consegue transmitir, é isenta de personalidade ao contrário da “máscara” de Joker, que executada fisicamente é muito mais verosímil. As cenas de perseguição estão bem conseguidas e resultam muito bem.


Uma pequena referência a várias sequências, onde a montagem é feita de forma paralela (alternada), com três ou mais histórias a decorrerem simultaneamente (a título de exemplo, a sequência que antecede a invasão da festa por parte do Joker). É um exercício muito bem feito e acima de tudo que resulta de forma exemplar, criando muito tensão e rapidez na imagem. A transição entre sequências é acertada e concretizada na altura certa. No fim oferece ao espectador, uma agradável visualização das referidas sequências, que trás muito de positivo ao filme.


Por fim a música. Diferente do primeiro, é muito mais presente. Recorre-se a sons que são trabalhados para criar tensão e desconforto no espectador. Se por um lado resulta, por outro considero que retira alguma da magia ao espectador visto que este se apercebe que algo vai acontecer. Ainda assim para o filme que é, consegue ser positivo.


Em suma, um filme excelente. O seu objectivo é entreter, e cumpre essa função na sua totalidade. Quanto à obra de arte propriamente dita e que muitos defendem, acho que ainda tem de voar um bocadinho mais, mas não deixa de ser um dos melhores filmes de super-heróis que vi.


O MELHOR:
Heath Ledger e Joker, Aaron Eckhart e Two-Face. Todos os secundários. Algumas sequências.


O PIOR: A caracterização digital de Two-Face.
 

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publicado por OlharCrítico às 17:54
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5 comentários:
De Peter Gunn a 31 de Julho de 2008 às 11:23
Estou 97% de acordo com a crítica!

Para mim o pior mesmo foi não decidirem levar o "Two-Face" para um próximo filme e assim acabar este dark night com a primeira aparição deste vilão e com a captura do Joker. Acho que tinha tido um final melhor.

De resto nada a dizer, excepto: "exelente filme"

Why so serious...?

Lets put a smile on your face!
De OlharCrítico a 31 de Julho de 2008 às 12:46
E acredita que a única razão pela qual não levaram Two-Face para outro filme, era sim para dar continuidade a Joker. O potencial era tanto para este personagem que não acho que tenha sido por acaso, o facto de ele não ter morrido, e nada mais sabermos sobre o personagem a partir do momento que é capturado. Só que a vida trocou a volta à situação.

E concordo contigo, o final por ti sugerido tinha igualmente sido bastante interessante. Por outro lado como se trata de cinema... não me admirava nada que ainda fosse possível recuperar a personagem de Two-Face. Dão-nos a entender que ele morreu... mas é cinema, tudo é possível. E se ele voltar eu cá estarei de braços abertos para o receber :)

Cumprimentos cinematográficos

André

De TTT a 31 de Julho de 2008 às 16:05
Estou plenamente de acordo contigo, sem sombra de dúvida um grande filme. Para quem for um observador atento, delicia-se com muitos pormenores fantásticos, não só ao nível dos cenários, do argumento, mas, sobretudo, ao nível das interpretações ou melhor da interpretação de Heath Ledger como Joker, gestos, movimentos, atitudes são um regalo para a vista e o intelecto de muitos cinéfilos.

A nossa vantagem relativamente a muitos outros espectadores foi mesmo não ter entrado no tsunami de marketing anexado ao filme. Assim não se criaram expectativas excessivas e que no final trariam um “saber a pouco” inevitável.

Sou fã do Batman e fico à espera do seguinte, sempre com Christian Bale como protagonista… Pena já não podermos contar com Ledger… Enfim… Como tu disseste a “vida trocou a volta à situação”.

Cumprimentos cinematográficos.
De Catarina d´Oliveira a 4 de Agosto de 2008 às 10:34
Não gosto de fazer previsões com muita antecedência... ainda para mais sem "os grandes filmes" terem sequer chegado aos cinemas... mas Heath Ledger esteve brilhante. Em cada trajeito e cada gesto. Absoluto deleite vê-lo viver aquilo em que acreditava enquanto Joker!

De resto o filme satisfez-me bastante. Não esperava o melhor filme do mundo, e não foi isso que tive. Mas tive o melhor filme adaptado de Comics! O que já é bem bom!

De negativo só mesmo a duração... o filme ficava a ganhar muito mais com umas competentes duas horas.

De qualquer forma, nota muito positiva.

Dentro do género, 9/10
De OlharCrítico a 5 de Agosto de 2008 às 17:36
Pessoalmente a duração do filme nem me incomodu muito. Tava a vibrar com o filme e com as suas súbitas mudanças de rumo na história. Mas agora mais distante e mais a frio, sim concordo totalmente que não se iria perder nada, até talvez se conseguiria ganhar, se algumas cenas se tivessem ficado pela sala de montagem. No ínico pelo menos, ou na parte inicial de todo o filme, daria para eliminar uma boa mão cheia, o que provavelmente iria fazer com que encurtasse o filme. Mas ainda assim foi como disse, na altura nem me apercebi bem...

Cumprimentos cinéfilos...

André S.

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