Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Onde pára a Originalidade e a Imaginação?!

 

 

Não sei se os leitores porventura sentem o mesmo mas eu já há muito tempo que não saio de uma sala de cinema marcado por um filme que tenha visto. Há muito tempo que uma história não me marca, não me emociona, não me deixa a pensar e a reflectir sobre os seus diversos pontos de vista. Talvez tenha sido “Gran Torino” de Eastwood o último a deixar uma marca tão profunda, ou dito de outra forma, desde Março. Dirão muitos e com toda a razão que o cinema serve essencialmente para entreter, o que é algo com que eu concordo mas fazendo um esforço para saltar a barreira que para muitos divide o “entretenimento” daquilo a que eu chamo de “cultura com entretenimento”, depressa percebemos que o salto não é assim tão difícil.

O cinema, e aqui insere-se principalmente o dito cinema americano de Hollywood, está a viver uma crise evidente de falta de imaginação e originalidade. Fazem-se remakes de todos os tipos de filmes, sequelas atrás de sequelas, adaptações cada vez mais rigorosas de bandas desenhada e no fim acaba por tudo junto, ser ainda muito pouco. Esta onda dos blockbusters com os seus filmes de puro entretenimento (deste feita já não é só entretenimento é também “puro”) já foram vistos vezes e vezes sem conta. Não acrescentam nada de novo e as únicas inovações são em categorias técnicas, com porções enormes de efeitos especiais e digitais, sequências megalómanas, absurdas quantias de dinheiro gastas para que no fim aquilo tudo espremido dê efectivamente para muito pouco.

 

Mas a verdade é que para isto acontecer é porque alguém dá a entender que isto é o que se quer. Esse alguém somo nós, os espectadores que vão ao cinema, que pagam os seus bilhetes para visionarem um filme. Se determinado filme tem óptimas receitas de bilheteira o mais certo é que tudo se volte a repetir numa sequela uns mais tarde. Tudo isto é ainda mais complexo pois eu também não concordo que se deixe de ir ver um determinado filme apenas porque se sabe que o realizador ou a história são fracas. Penso que devemos sempre ajuizar e criticar tendo em conta aquilo que vivemos ou sentimos perante um determinado objecto ou situação. No fundo a experiência pessoal é sempre a mais importante em todo e qualquer meio. Por outro lado também não critico de forma nenhuma e muito menos condeno quem não vai ao cinema por não gostar do realizador – e se for Michael Bay o melhor mesmo é deixar de lado – ou devido a uma outra qualquer razão.

 

Não posso porém deixar de referir mais uma “pura” verdade. Falta imensa diversidade nos nossos cinemas. Raramente temos opção de escolha perante um filme e quando a temos, normalmente as escolhas que nos são possibilitadas variam entre a “chungice” do cinema espectáculo – do qual eu gosto entenda-se – onde frequentemente se escreve um argumento partindo da quantidade de vezes que se quer explodir algo e que normalmente resultam em objectos cinematográficos sem qualquer tipo conteúdo (tornando-as assim descartáveis) ou entre o “intelectualismo” do cinema Português que peca muitas das vezes por apresentar demasiado conteúdo. Seremos assim um povo que se satisfaz apenas com explosões, efeitos, gajas em posições sensuais, barulho e frenesim?! Ou seremos também um povo que de vez em quando gosta de ver um filme que nos faz parar para pensar e reflectir sob um determinado tema?! É caso para dizer, nem 8 nem 80.

 

Não posso falar por todos mas quero crer que muitos de nós nos inserimos nesta segunda categoria, onde é importante o trabalho dos actores, dos principais aos mais discretos secundários, onde é importante a riqueza, inteligência e originalidade evidenciada na escrita do argumento que se apresenta com uma magnificência invulgar ao contrário da noção que nos é apresentada pelo actual cinema americano que apenas se pretende distinguir pela sua vanguarda técnica principalmente no que diz respeito aos efeitos especiais. Nem sempre a modernidade se faz acompanhar da mesma excelência evidenciada em filmes independentes ou europeus que verdade seja dita, dificilmente se conseguem encontrar nas nossas salas de cinema, mais conhecidas por salas de consumo desenfreado de imagem e barulho que não respeitam o mínimo rigor na qualidade ou na diversidade.

 

Vivemos de facto numa altura complicada onde só os valores do consumo são importantes. Cortam-se as raízes com os modelos clássicos do cinema, o que não tem de ter obrigatoriamente um lado positivo ou negativo, apenas servem como uma infeliz constatação. A verdade é que hoje o espectador com toda a tecnologia à disposição acaba por assumir uma posição muito descartável relativamente ao cinema, quase que como se tivesse deixado de ter interesse ou pertinência um filme mais pensado ou elaborado, algo que no fundo todos nós, na posição de espectadores verdadeiramente apreciadores de cinema, sabemos de antemão não ser verdade.

 

Existiam e ainda existem uns livros muito engraçados em que o objectivo era procurar uma personagem no meio de uma multidão, que tem como título “Onde está o Wally”. Pode-se fazer com relativa facilidade o mesmo exercício para o nosso cinema de Hollywood. No meio de tantos filmes, tantas explosões, tanto CGI, tanto plano super frenético e imperceptível que tantas vezes já foram vistos, é mesmo caso para perguntar, onde está a originalidade e a imaginação?! O pior é que ao contrário do livro, onde com mais ou menos tempo se conseguia encontrar o “Wally”, tenho muitas dúvidas que no caso do cinema se consiga efectivamente atingir esse fim.
 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 19:14
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3 comentários:
De Francisco Correia a 5 de Julho de 2009 às 03:29
Pegaste num tema pelo qual tenho batalhado e que ainda não me entrou na cabeça, não entrou na cabeça como é que há tanta falta de originalidade.

Tudo bem que, e verdade seja dita, as sociedades deste mundo estão cada vez mais burras, em estado zombie que comem tudo o que lhe aparece à frente e que não têm nenhum olho critico para a coisa, sem personalidade. Engolem tudo. Então o que tiver explosões e sangue gratuito..

Eu até poderia aturar isto e encontrar os meus filmezitos num cantinho.. Mas ao saber que querem fazer um remake do "Old Boy"... é sinal de que algo está mesmo mal.

Parece que os americanos chegaram ao ponto em que não se querem esforçar, simplesmente olham para os países asiáticos ou para os livros e BD's como referiste, e toca a copiar.

É triste.

PS: Boa critica! Linkei-te e vou seguir este blog com alguma atenção ;)

http://umframeporsegundo.wordpress.com

De OlharCrítico a 7 de Julho de 2009 às 11:11
Caro Francisco Correia,

De facto, e por muito que me custe dizer isto, e acredita que me custa, sou um ser inconformado por natureza, também não tenho propriamente soluções para contrariar estas questões. É o público e as massas que definem os objectivos dos estúdios. "Transformers" só no primeiro fim-de-semana bateu records de bilheteira e não há nada a fazer, e ainda para mais ouço muitas pessoas dizer que é um grande filme. Realmente é, com quase duas horas e meia já se pode considerar grande.

E é bem verdade o que dizes. Não há diversidade oferecida por parte das empresas distribuidoras de cinema porque o público hoje em dia satisfaz-se com pouco, e assim sendo, exige pouco. Bastam umas explosões, filmes visualmente "orgásmicos" e malta sai de lá toda sorridente.

Da mesma forma deixaste-me chocado com essa do remake do "Old Boy". Já tinha achado "Quarentena", que aliás me recusei a ver, uma tremenda falta de capacidade cerebral, e agora querem fazer um do "Old Boy". Isto é o fim do mundo, e apenas posso dizer que é mais uma péssima ideia na já tão longa história das péssimas ideias.

Algo está mesmo muito mal lá para aqueles lados. É muito triste.

Obrigado pelo link, o cinemabox agradece :)

Até breve Francisco,

Cumprimentos cinéfilos

A.S.
De allungamento del pene a 10 de Fevereiro de 2011 às 16:10
elogios para as fotos, lindo! Eu sempre vi a fotografia como arte mais do que capaz de captar todas as emoções e todos os momentos

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