Domingo, 1 de Março de 2009

Let´s Look At a Trailer… Or Not…

 

 

O trailer é indiscutivelmente um dos principais elementos no que diz respeito ao processo de divulgação de um filme. Eu partilho da opinião que elaborar um trailer, é uma arte, mas se de facto se trata de uma arte, então quase que arrisco a dizer que estamos a perder os verdadeiros artistas. Um trailer reveste-se essencialmente da compilação das imagens, ou momentos, mais relevantes de um filme. No entanto, e a magia do trailer reside aí, é fundamental não se mostrar tudo. Aquilo que sugere causa, por norma, muito mais impacto do que aquilo que nos é mostrado. A título de exemplo e apenas isso, o último trailer de “Transformers: The Revenge Of The Fallen”. Sim é certo que esperaríamos (e provavelmente quereríamos) ver muito mais, mas a verdade é que desta forma, chama o espectador e acima de tudo causa-lhe vontade e curiosidade que apenas estará satisfeita após o visionamento do filme.

 

Tendo isto em conta, porque será que em certos filmes (muitos mais do que desejaria) se consegue, num trailer – que em média tem a duração de dois minutos e meio (formato americano claro está, ou não fosse o trailer uma “invenção” americana), mostrar todas as cenas verdadeiramente cómicas (se for esse o caso)? – Aqui e a título de exemplo, recorro ao “Bruce Almighty”. Todas (e eu digo mesmo todas) as cenas cómicas e originais estavam escarrapachadas no trailer. Ora, quando se vê o filme, rir é mesmo a última coisa de que temos vontade de fazer, porque o que tínhamos para rir, já o fizemos no visionamento do trailer. Existe uma necessidade implícita de o trailer conseguir convencer o espectador desde o primeiro visionamento, mas isso não implica, pelo menos a meu ver, que com isso se dispa o filme colocando todas as suas mais-valias à vista. É certo que aqui por trás movimentam-se muitos milhões (e a questão do dinheiro anda sempre de mão dada com estes assuntos, é inevitável) mas exige-se, eu pelo menos exijo, alguma qualidade – se não mesmo a totalidade da mesma. Ainda mais a exijo porque eu sou um apreciador de trailers, aliás gosto imenso de os fazer, de os imaginar e com bastante frequência, de os visionar. Da mesma forma tenho noção que não é fácil alinhar material para orientar um trailer, e que normalmente é preciso um conhecimento bastante aprofundado do filme em si, para se conseguir extrair o necessário para cativar o espectador num tão curto espaço de tempo.

 

Mas é precisamente neste ponto que os teaser (versão reduzida de um trailer – por vezes apenas chegam a conter breves segundos de imagens) resultam tão bem. Lembro-me de “Mystic River”, com um plano aéreo magnífico que nada de concreto mostrava mas que em tudo era apelativo. Da mesma forma “Transformers” ou o recente “REC 2” que encerram um conjunto de imagens e sons que nos transportavam directamente para o filme sem mostrar nada explícito. E muitos outros, que com certeza vos ficaram na memória. Porém, ainda existem os casos em que o trailer consegue exceder o filme em si. Ou seja, a montagem de imagem/sons /música é de tal forma bem conseguida, que acaba por adulterar o produto final, o que faz com que surja aquela sensação recorrente de insatisfação e do típico “estava à espera de muito mais”.

 

Na verdade até há boas ideias a circular por aí, não estivessem elas dependentes das sequiosas, sedentas e gananciosas editoras e distribuidoras (portuguesas e não só). Partilho apenas duas; os trailers não deveriam ser visionados um mês antes da exibição do filme – assim há primeira vista até que me parece uma boa ideia; Os trailers deveriam ter obrigatoriamente menos tempo de duração – subscrevo totalmente esta sugestão pois é muito pertinente, e dessa forma continuaria a agradar ao espectador e às distribuidoras que assim conseguiriam à mesma realizar os seus tão preciosos “trocos”.

 

Em suma, mais uma vez tudo gira à volta de dinheiro e interesses, de cinema de e para massas. Não interessa se o filme fica a perder ou não, o importante é saber que o filme atingiu um determinado número de espectadores ou por outro lado, se conseguiu atingir um determinado valor no tão falado box office. Mas para os verdadeiros apreciadores de cinema, isso não é tudo, aliás isso não é nada. E caramba porque serão sempre os mesmos a saírem prejudicados…?!? Pessoalmente e relativamente a este tema, e apesar de ser um apreciador do trailer, acabei por desistir de os ver antes de visionar o filme. É que de outra forma corro sempre o risco de ficar a saber algo mais do que aquilo que realmente desejo...

 

Até para a semana!

publicado por OlharCrítico às 22:43
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4 comentários:
De Catarina d´Oliveira a 2 de Março de 2009 às 15:04
grande tema e grande post! muito a proposito numa altura em que parece que quase toda a gente desaprendeu a fazer trailers...isto porque, como bem referiste, por mais espectaculares que possam parecer (e alguns são mesmo...fico toda arrepiada ehe) acabam, muitas vezes, por mostrar e revelar (muito) mais do que deviam...e depois, ironicamente, é o proprio filme que fica a perder. Quantos trailers nao se revelam esmagadoramente melhores que os proprios filmes? Muitos! isto porque...nao raras vezes..tudo o que há de bom no filme (os filmes "médios" são os que sofrem mais com esta questao) já está no trailer...

enfim...o trailer precisa ser reinventado. a ver se aprende alguma coisa com o teaser :P

beijinho!
De OlharCrítico a 3 de Março de 2009 às 17:07
Caro Close-Up,

Antes de mais agradecer as palavras que dirigiste relativamente ao tema. Acredita que por vezes é difícil definir um "motivo de conversa, e deambular ou "filosofar" um pouco sobre ele. No que dizes concretamente aos trailers voltou a acontecer-me. Não é que fui ver o trailer do T4 e para mim pelo menos, tirou-me a surpresa toda. É certo que o Filipe avisou mas mesmo assim... tenho mesmo que os deixar de ver.
E sim concordo, os trailer precisam pelo menos de ser redefinidos, no sentido de se aproximarem mais do conceito de teaser. Concordo e subscrevo. Mas e aqui entre nós... porque é que ninguém nos ouve.......?!?!

Beijinho

A.S.
De On_The_Stage a 3 de Março de 2009 às 17:55
Caro André, as suas crónicas começam-me a aguçar o espírito no sentido de querer saber mais sobre o fantástico mundo do Cinema. Ao contrário do que diz, o meu conhecimento não é assim tão profundo, estende-se a alguns ramos, mas infelizmente não os abarca a todos. Deixa-me a vontade, de todas as sextas “navegar” até ao blog e saber de sua justiça.

Trailers, só os vejo quando vou à dita sala de cinema. Não gosto de perder esses minutos iniciais, que me semeiam a vontade quase imediata de voltar a comprar bilhete para ver esse filme que me despertou o intelecto ou então me cobrem de indiferença.

A verdade, e pensando nessa temática mais seriamente, nunca a tinha olhado pelas perspectivas que aborda. São diversas as razões justificativas, todavia elevo duas. Primeiro, esses dois minutos, vi-os sempre como um apontamento com um grau de especificidade e técnica consideráveis e, por tanto, longe do meu alcance e conhecimento, embora lhes reconheça valor e utilidade. Em segundo, e talvez o mais importante, para mim os trailers, são apenas e só o meio mais tradicional e, actualmente, um dos muitos componentes utilizados para publicitar os filmes.

E à semelhança dos títulos “mal” traduzidos, também esses minutos exibidos em antecipação podem ser muito bons, quando nos deixam a roer as unhas de tanta ansiedade, pondo-nos a fazer contas de cabeça e “sacar” o telemóvel para ver quando calha a data de estreia ou nos dão vontade de recorrer a canais menos próprios para antecipar essa estreia. A desilusão chega depois, em alguns disfarçada, mas noutros bem estampada nos rostos e na carteira.

Ainda não consegui entender qual o propósito que se encontra por detrás da sua elaboração e divulgação, em muitos casos demasiado precoce. Será que o objectivo passa por inflamar as hostes e associar a si fãs e críticos, cujos combates ajudam à promoção do filme? Será que essa é a única forma de salvarem um produto com má qualidade? (só assim justifico a demasiada evidência aferida em muitos casos nos trailers).

Fica evidente nestes casos, a falta de “carácter” de quem faz os trailers, pois tem a noção do mau produto que vende, mas ainda assim alicia de forma vergonhosa (com o que de melhor existe nesse mau) os espectadores, e estes, como diz e muito bem, são sempre os prejudicados, pagam um serviço e ficam mal servidos, pois a publicidade foi enganosa.

É pena que o Cinema, ou melhor, quem ganha com ele aplique cada vez mais a premissa de que a curiosidade já não se espicaça com indirectas e subterfúgios, opta pelo caminho mais fácil e denunciador… pura e simplesmente mostra-se o que se quer e, quando se dá conta, o que não se quer também. Isto, porque como diz e muito bem, o objectivo final já não passa por agradar ou não, o que importa é mesmo estar presente nas listas dos mais vistos ou com maior recorde de bilheteira. Já não interessa tocar, deixar uma marca própria, indiscutível e inapagável (em muitos casos) o que interessa é o material e isso é pobre e de curta memória.

Talvez o objectivo seja mesmo esse, não perceber…Dá vontade de dizer enfim…

Mais uma vez o douto povo encerra no seu saber a chave do sucesso, tal como em tudo “o menos é sempre mais”.

Saudações Cinéfilas

OTS

De OlharCrítico a 4 de Março de 2009 às 12:15
Caro OTS,

Hoje, se me permite, iria abordar em primeiro lugar as questões que me coloca, não só porque são importante e pertinentes, mas também porque provavelmente serão as “dúvidas” de mais pessoas. Porém é assunto que pode ser, como diz, abordado de diferentes maneiras pelo que não pretendo que a minha opinião passe a ser “regra” neste ou noutro qualquer assunto. Refere no seu comentário a precocidade com que os trailers surgem ao espectador. Na verdade e indo de encontro ao que disse, está “apenas” relacionado com o factor marketing/ promoção e o que dele advém. Frequentemente consegue também ser um medidor de “popularidade” no sentido de se perceber como o filme irá ser recebido pelo espectador. A título de exemplo, há estúdios de cinema (New Line Cinema, é um deles), que organizam pré-visualizações dos seus filmes, de versões muitas das vezes que ainda não estão terminadas, precisamente para aferir qual o impacto e a forma como o espectador recebe os seus filmes. Há inclusivamente inquéritos para responder, com perguntas do género “qual é a cena que menos gostou”, “qual a personagem que menos/ ou mais lhe agradou”, e por vezes até espaço para pequenas conversas com a equipa criativa (produtores, realizadores), no sentido do filme sair o mais próximo possível do que os espectadores previamente conceberam. Desta feita, de facto o trailer tem como principal função – e recorrendo a uma linguagem mais popular – “aguçar o apetite” e prender o espectador. Como todos sabemos, aquilo que é falado e discutido, normalmente provoca curiosidade, esta por sua vez leva-nos a procurar informações nas mais diversas plataformas disponíveis (sendo que o trailer é indiscutivelmente uma delas), a fim de saciar essa curiosidade a partir de pequenos factos/ curiosidades que vão sendo disponibilizadas, de forma faseada e muito ponderada. É inegável a presença da questão financeira que cada vez mais apresenta uma maior relevância, relegando – e mal na minha opinião – o valor e o verdadeiro significado do cinema. Todavia ainda existem as excepções à regra e isso apesar de não ser significativo, ainda me consegue acalentar o espírito. Valha-nos isso portanto.

Sugestão mesmo, apenas aquela que escrevi anteriormente. Resistir à tentação é se possível não os ver ainda para mais se o trailer mostra com frequência demasiado. Por outro lado – e ainda mais grave no que isso provoca no espectador – o cinema na sua grande maioria, deixou de possuir capacidade para o espectador pensar por si, elaborar imagens, questionar-se. Tudo é fácil e por demais evidente. Quantas vezes no decorrer de um filme observamos um plano que nos faz olhar para o colega do lado e dizer “isto vai ser importante para o final”. Deixou de existir espaço para a criação, imaginação ou o simples deixar o espectador a pensar, e passou tudo a ser pré-formatado e ponderado, sem que com isso se olhasse para trás e se pensasse que nem sempre o cinema foi assim. E vou mais longe, pois recuso-me a acreditar que o espectador, acima de tudo como pessoa, não goste de pensar, imaginar ou questionar-se relegando tudo isto em prol daquilo que é fácil e previsível. Bem mas se realmente for esse o caso… não é só o cinema que estará perdido… enfim!

Por fim, mais uma vez agradecer as suas e as palavras de todos, que tem sido tão simpáticas e participativas e que, confesso, desejo que assim continuem a ser. Continuo a achar que conversar sobre cinema deveria ser profissão!

Cumprimentos cinéfilos!

A.S.

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