Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Remake – O original é que é bom?! Será?

 

É agora mais que nunca, que se ouve falar desse fenómeno que são os remakes. Um dos próximos a chegar é “Quarentena”, uma nova versão, daí a nomenclatura de remake (original portanto), do filme “REC”. Ver o trailer de “Quarentena” foi, acreditem, um verdadeiro sacrifício – sim porque eu fui um daqueles que adorou o “REC” – e sacrifício porque é custoso (no mínimo) ver o que se faz e até onde se consegue ir quando, (literalmente) a imaginação não permite mais. Mas o que passará pelas cabeças destes senhores, para fazerem um filme, igual (e aqui pode ser mesmo igual, no sentido de ser igual plano a plano), em que a única coisa que muda são os actores e o idioma em que nos é apresentado? Dei por mim a pensar bastante neste assunto (apenas alguns minutos para ser sincero), e cheguei a uma conclusão. A não ser que se tratem de cifrões, num desfile de biquínis, ou cifrões num jogo de “strip poker” (e eu sei que ando sempre à volta da questão dos cifrões, mas são as consequências da crise), eu não consigo encaixar na minha cabeça a razão pela qual se fazem filmes, iguais em quase toda a sua percentagem, a um antecessor que em tudo consegue ser superior, ou que mais não seja, que se faz acompanhar de valores implícitos (ou talvez não) como a originalidade, inovação técnica (ou outra de qualquer tipo), e claro a criatividade de uma determinada obra cinematográfica.

 

Todavia, também existem os remakes, em que só os títulos e alguns pormenores da história são “repetidos” nesta nova versão. Um dos exemplos mais concretos e recentes, talvez seja “A Guerra dos Mundos”, que recorrendo a uma história base, adaptou-a e reinventou-a para outra realidade. Goste-se do resultado final ou não, sempre me parece mais pertinente (interessante e até estimulante), uma história onde vários aspectos são trabalhados, ao invés de algo praticamente igual a objectos já previamente existentes, sustentando toda a sua razão de existência em princípios económicos e acima de tudo, lucrativo.

 

Na verdade, parece-me que a questão fulcral prende-se com a questão monetária. Só arrisca neste tipo de filmes, quem sabe que com isso pode de alguma forma, obter lucro (plim plim). E aqui, voltei a pensar mais um pouco, (e desta feita tive que recorrer a mais uns minutinhos). É que além das diversas estratégias de obtenção de lucro, tais como a publicidade, o “merchandising” que se faz acompanhar da bonecada toda, dos videojogos e por aí fora, da rentabilização do mercado dos DVD´s, entre outros, há um factor com um revestimento de importância significativa. São os resultados de bilheteira. E aqui não há por onde fugir. Somos nós (espectadores, ou pelo menos aqueles que pagam bilhete) que contribuímos para esse tipo de lucro. E isso leva-me novamente à questão anterior. Se há publico que paga para ver, por exemplo “Quarentena” então é aceitável que se gaste dinheiro (normalmente muito), a fazer-se esse filme. (É importante referir que o título “Quarentena” apenas se reveste como exemplo, e não se trata de todo, de um cruzada da minha parte, para denegrir o filme – algo aliás que considero que vai acontecer por factores totalmente alheios à minha pessoa).

 

Por outro lado, temos a questão implícita da qualidade que normalmente é associada a um remake. Acho que todos concordamos quando digo que a maioria desse tipo de registos é francamente inferior, qualitativamente falando, ao seu antecessor, o verdadeiro, o “original”. Ora, quando digo maioritariamente, é porque haverá um ou outro que consegue ultrapassar o original… se bem que apesar disso… e após vários (e aqui longos) minutos de introspecção, assim de repente não me ocorre nenhum exemplo com que vos possa presentear… e é pena.

 

Em suma, trata-se mesmo de um fenómeno. Em primeiro porque para muitos é um tanto incompreensível que se apliquem tantos fundos em projectos deste tipo, com outros na gaveta contendo tudo para serem melhores, que é literalmente o meu caso. Em segundo, porque apesar de em certa parte ser incompreensível, isto continua a acontecer, e parece-me, que cada vez mais com maior frequência, apenas tendo como base a sustentabilidade de um factor económico, que é a obtenção de lucro desmedido, sem por um único momento pensar, no verdadeiro cinema em si, ou naquilo que ele representa, pelo menos na concepção de cinema para alguns, e isto independentemente da forma que cada um de nós vê ou está para o cinema

 

Pelo menos há uma coisa boa no meio disto tudo. Este fenómeno ainda não chegou ao cinema Português… porque aí sim, é que era de rir. Estou mesmo a ver um remake do “Pátio das Cantigas”, com o Nicolau Breyner no lugar do Vasco Santana (pelo menos na dimensão da barriguinha a coisa até que passava bem), ou então o tão conhecido “Leão da Estrela”, ou a “Canção de Lisboa”, com a Sandra Cóias e a Liliana Santos ou até a mulher de todos os pecados (segundo alguns claro), Soraia Chaves e porque não… como protagonistas! Ah pois é… esqueci-me que nessa altura não havia propriamente cenas de nus, nem de sexo… bolas, é que nunca há bela sem senão… que coisa.

 

Até para a semana!

 

publicado por OlharCrítico às 12:30
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2 comentários:
De Loot a 21 de Fevereiro de 2009 às 15:24
eheh mas olha que já existe um remake do "Leão da Estrela" chama-se "O Lampião da Estrela" é um telefilme da Sic com o Herman José.

Acredito como tu que haja remakes melhores que o original. Também não conheço nenhum (o departed é igualmente bom mas não diria melhor), lembro-me do "The Fly" e do "The Thing" que se não estou em erro são remakes e são filmes extraordinários. Acredito que possam ser melhores que os originais, mas como não os vi não sei.

Também prefiro o segundo tipo de remake que falas e é esse que me faz sentido. Olhar para uma obra com uma nova visão.
Os que copiam plano a plano e no caso do Rec nem sequer estamos a falar de uma diferença de anos substancial, não me suscitam interesse nenhum.

A razão é dinheiro obviamente. Tem a ver com a educação do povo americano que na sua maioria (penso eu) não gosta de ir ver filmes legendados.
Ao menos não dobram, na França e em muitos outros países é indiferente a língua em que os filmes são feitos uma vez que eles gostam tanto de dobrar. As pessoas cresceram a assistir filmes assim e estão habituadas é uma questão cultural.
Estamos a falar claro de maiorias e não pessoas que se interessam particularmente por cinema.
Mas se calhar já me estou a desviar do assunto principal.

Abraço
De OlharCrítico a 22 de Fevereiro de 2009 às 15:01
Caro Loot,

é bem verdade. Realmente já existe esse "grande filme" com Herman José que é mais ou menos uma paródia ao original. Muito bem visto. Felizmente, parece-me que é filho único no nosso cinema...

Os exemplos que deste, podem perfeitamente ser considerados remakes, já superiores a esse é que é mais discutível até porque isso varia muito de pessoa para pessoa. Sou sincero, existindo ou não remakes, tenho na grande maioria das vezes um "carinho" especial pelo original.

E referes algo muito importante. Cinema feito para maiorias (mais conhecidas por «massas») e não propriamente para aqueles que apreciam o cinema apenas por ser cinema. E deveria haver espaço para a co-existência, sem se dar lugar privilegiado a um deles... mas ambos sabemos que isso não acontece nem poderia acontecer, pelo menos no nosso contexto de cinema.

Quanto à legendagem, sim já era um ligeiro desvio, mas fica aqui a promessa, que futuramente vai ser um dos temas a abordar neste espaço. Até porque é realmente um tema bastante pertinente.

Abraço e obrigado pela opinião. É sempre interessante conhecermos os pontos de vista das outras pessoas. Aprendemos sempre muito com isso.

A.S.

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